Contexto e proposta de Meu irmão, eu mesmo
Meu irmão, eu mesmo, publicado pela Alfaguara em 2023, dá sequência aos relatos memorialísticos iniciados em Pai, pai. O livro trata da amizade entre João Silvério Trevisan e Cláudio, seu irmão mais novo, que morreu em 1996, aos 48 anos, vítima de um câncer linfático. A narrativa parte de um cruzamento de notícias pessoais: em 1992, o próprio autor descobriu-se infectado pelo HIV e acreditava ter pouco tempo de vida; a tragédia acabou atingindo o irmão.
Cláudio é apresentado como o irmão do meio, o mais progressista e o mais próximo, que se tornou admirador e amigo incondicional quando soube da homossexualidade do escritor. O livro reconstitui os laços afetivos, políticos e financeiros que os uniram, os últimos dias do irmão e o luto posterior.
O que o livro revela
Trevisan fala com franqueza de sua vida intelectual e de suas relações amorosas, e usa como pano de fundo as lutas da comunidade LGBT nos anos 1990, as conquistas do período e o pânico diante de uma doença então pouco conhecida. É leitura para quem acompanha a obra memorialística do autor, para quem pesquisa luto e para quem quer entender a história recente do Brasil por dentro de uma família.
O romance foi bem recebido pela crítica e consolidou a fase mais pessoal da produção de Trevisan.





