Contexto e proposta de A literatura na poltrona
A literatura na poltrona nasceu do blog que José Castello manteve em O Globo e chegou às livrarias em 2007, pela Editora Record. O livro reúne memórias, cenas e entrevistas em que o leitor acompanha o autor pensando em voz alta sobre o que significa ler, escrever e ensinar literatura.
No capítulo que dá título à obra, Castello analisa o ato de leitura e desmonta a ideia de que basta conhecer a intenção do autor para entender um texto. Ele aplica esse raciocínio a um caso clássico: Angústia, de Graciliano Ramos, dissecado para mostrar como a crítica universitária do século 20 transformou intenções em dogmas. O ensaio sobre Fernando Pessoa desloca a discussão para a alteridade e para a compreensão do outro, enquanto as referências do livro passeiam de Truman Capote a João Antônio, de Ricardo Piglia a Franz Kafka e Jorge Luis Borges.
Há ainda um capítulo dedicado às oficinas literárias — território que Castello conhece de perto, por conduzir cursos de criação em Curitiba há décadas — e um encerramento provocador, em que o autor lista os cinco maiores poetas brasileiros do século 20: Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes e Cecília Meireles.
É um livro indicado para quem escreve, para quem estuda comunicação e para leitores que gostam de acompanhar o raciocínio de um crítico. Serve como complemento natural de Histórias miseráveis e de Inventário das sombras na estante de quem acompanha o trabalho de José Castello.





