Contexto e proposta de Ribamar
Ribamar é o romance que consolidou José Castello como ficcionista. Publicado em 2010, o livro usa os nomes do próprio autor e de seu pai — José Ribamar Martins Castello Branco, que migrou de Parnaíba, no Piauí, para o Rio de Janeiro — para narrar uma relação familiar tumultuada. A obra venceu o Prêmio Jabuti de Melhor Romance em 2011 e ficou entre os dez finalistas do Prêmio Portugal Telecom de Literatura.
O livro não se comporta como romance convencional. Em vários momentos, aproxima-se da biografia; em outros, do relato de viagem; e, em outros ainda, da autoficção, esse território em que o autor empresta a própria vida à narrativa sem prometer fidelidade aos fatos. O fio condutor é a figura do pai, suas ausências e a herança difícil que ele deixa ao filho.
A escrita de Castello já vinha sendo testada em Fantasma, romance de 2001 que recebeu menção honrosa no Prêmio Casa de las Américas. Em Ribamar, porém, a matéria pessoal ganha densidade e forma. O autor vinha de uma carreira sólida como jornalista e biógrafo — tinha escrito a vida de Vinicius de Moraes e retratado dezenas de escritores — e usou esse repertório para construir uma narrativa que discute memória, paternidade e o que fazemos com as histórias que recebemos.
É uma leitura indicada para quem se interessa por autoficção, por romances de formação e por livros que tratam da relação entre pais e filhos sem sentimentalismo. A edição em catálogo é a da Bertrand Brasil, distribuída no Brasil pelo Grupo Editorial Record.





