O primeiro romance de Cristhiano Aguiar nasce de uma pergunta que o autor persegue desde os contos: o que acontece quando o insólito deixa de ser visita e passa a ocupar um território inteiro? Em A Quimera, essa pergunta ganha geografia. Em algum ponto do interior da Paraíba, uma área contaminada por uma catástrofe biológica se transforma em zona de mistério — fungos com formas humanas, casebres abandonados, aranhas albinas, lagartos de múltiplas cabeças e um vento carregado de esporos.
O livro chega às livrarias em novembro de 2026, com pré-venda aberta no site da Companhia das Letras e em livrarias de todo o país. É a estreia do autor na forma longa, depois de sete títulos entre contos, narrativas curtas e ensaios. A capa é de Kiko Farkas, que já havia assinado a de Gótico nordestino.
O que se sabe sobre a história de A Quimera
A narrativa acompanha Osman, um homem que perdeu a mãe para o território contaminado. Glória Lins era docente de Engenharia Química e uma das principais pesquisadoras do laboratório atingido pelo acidente; depois do desastre, passou a viver em estado de paralisia, descolada da realidade. Anos mais tarde, Osman decide levá-la de volta ao local, na esperança de que o lugar devolva a presença da mãe.
A área é conhecida pelos moradores como "O Terreno". O perímetro é incerto e, segundo a própria lenda que cerca a região, quem entra só percebe que foi atingido quando já é tarde. Guias locais conduzem visitantes às terras contaminadas, mas nenhum relato de quem volta é totalmente confiável: aparelhos de medição não funcionam no local e as fotos saem distorcidas.
O romance é trançado por diferentes pontos de vista e avança em direção ao centro do mistério. A atmosfera mistura horror, ficção científica e o gótico que o autor já havia explorado nos contos — desta vez com espaço para construir o território, seus personagens e a memória da catástrofe ao longo de 280 páginas.
Por que A Quimera interessa a quem lê Cristhiano Aguiar
Quem acompanhou Gótico nordestino encontra no romance a mesma obsessão do autor: o medo como chave para entender o presente. A diferença está na escala. Se os contos trabalham o susto e a epifania em poucas páginas, A Quimera permite que o leitor habite o território, conheça suas regras e acompanhe o desgaste dos personagens diante do inexplicável.
O livro também interessa a quem pesquisa literatura de gênero no Brasil. A ficção científica brasileira ganhou novas vozes nas últimas décadas, e a entrada de um autor premiado no fantástico para o romance é um marco dentro desse movimento — ainda mais quando o cenário é o sertão, e não um futuro urbano genérico.
Como acompanhar o lançamento
- Lançamento oficial: 10 de novembro de 2026;
- Selo: Alfaguara, do Grupo Companhia das Letras;
- Pré-venda: disponível no site da editora e em livrarias;
- Eventos de lançamento previstos para São Paulo e João Pessoa.
O autor publica atualizações sobre o livro na newsletter Linguagem Guilhotina, onde já divulgou a sinopse, trechos inéditos e o processo de escrita do romance.




