Amazônia, a Nova Minamata? é o documentário em que Jorge Bodanzky volta ao tema que atravessa boa parte de sua obra: o impacto da exploração econômica sobre a floresta e sobre quem vive nela. Lançado em 2022, o filme acompanha a luta do povo Munduruku contra o garimpo ilegal de ouro em seu território ancestral e investiga a contaminação por mercúrio que ameaça comunidades de toda a Amazônia.
O que o filme investiga
O título faz referência à doença de Minamata, identificada no Japão depois da contaminação da baía por mercúrio despejado por uma indústria química. O documentário transporta o paralelo para a Amazônia: o mercúrio usado no garimpo entra nos rios, na cadeia alimentar e no corpo das pessoas. Bodanzky acompanha o cotidiano de comunidades atingidas para mostrar como a contaminação se espalha para além das áreas de garimpo.
O fio narrativo é a resistência Munduruku. O filme acompanha a mobilização do povo para conter o avanço do garimpo em seu território ancestral e mostra os efeitos da contaminação sobre as comunidades. O problema não aparece como acidente isolado, mas como parte de uma história mais longa de ocupação da Amazônia, que Bodanzky acompanha desde os anos 1970.
Uma tragédia que não é só amazônica
A contaminação por mercúrio não respeita fronteiras. Ela chega ao peixe, à água e às crianças, e os efeitos neurológicos podem aparecer anos depois da exposição. Ao ligar a Amazônia a Minamata, o documentário insere o Brasil numa história global de doenças industriais e de populações sacrificadas em nome do desenvolvimento.
Bodanzky já havia tratado do tema em Iracema, uma transa amazônica (1974), Jari (1979) e Terceiro Milênio (1980). Em Amazônia, a Nova Minamata?, a denúncia ganha um adversário mais difuso: o garimpo ilegal, o mercado do ouro e a dificuldade de fiscalização. O filme mostra que a floresta continua sendo tratada como recurso a ser extraído, e que os povos indígenas seguem na linha de frente da resistência.
Como assistir
O documentário está disponível para compra e aluguel na Apple TV e integra o catálogo do Doc Canal Brasil, disponível como canal adicional no Prime Video. Para quem acompanha a obra de Bodanzky, o filme funciona como atualização do olhar que ele construiu desde os anos 1970: mesma Amazônia, novos agentes, mesmas perguntas sobre quem paga a conta do progresso.



