Amazzonia madre d'acqua é o livro de 2007 pelo qual Márcia Theóphilo recebeu, no ano seguinte, o Prêmio Sandro Penna em Perúgia. Saiu pela Passigli Poesia, em brochura de 176 páginas, ISBN 9788836810932. Não é o mesmo texto que a Mondadori publicaria em 2020 com o título Amazzonia verde d'acqua. A palavra água está nos dois. O livro, a casa e a data são outros.
A capa da Passigli já entrega o método. O nome Marcia Theophilo fica no alto, o título no centro, e um poema curto aparece nas duas línguas, português de um lado e italiano do outro, em torno da água e da terra. Não há ilustração de floresta. Há uma margem desenhada e o verso. Para uma autora que vinha de livros com prefácio de Mario Luzi e apoio do WWF, a escolha gráfica é quase austera. O peso fica na língua dupla.
Por que este título, e não o de 2020
Quem pesquisa Theóphilo depois de 2020 esbarra primeiro na Mondadori, porque Lo Specchio circula mais. Madre d'acqua explica uma fase anterior, a que a crítica italiana escolheu premiar com o nome de Sandro Penna, poeta associado à lírica breve e não ao poema de tese. O prêmio não transforma o livro em outra coisa. Ajuda a separar: em 2008, o volume reconhecido era este, da Passigli, não uma coletânea de carreira.
A Passigli já era casa dela. Amazzonia respiro del mondo, de 2005, também saiu ali e é outro livro, anterior, sobre o fôlego da mata. Madre d'acqua vem dois anos depois e aperta o foco na água: a floresta como mãe de água, não como catálogo de bichos nem como denúncia solta. O título em português que acompanha o prêmio, Amazonas mãe d'água, diz a mesma coisa sem a grafia italiana.
O que dá para saber sem inventar o miolo
O volume tem 176 páginas. Isso já o distingue do tijolo de 336 páginas de 2020. É poesia, não ensaio de antropologia e não relatório ambiental. Theóphilo usa o verso para falar de rio, mata e destruição desde os anos 1980. Aqui a água é o eixo, coerente com uma obra em que o rio Amazonas funciona menos como cenário e mais como pessoa.
Não há, em fonte pública estável, um sumário tão explícito quanto o da edição Mondadori. Prometer capítulos seria chute. O que a capa, a ficha da editora e o prêmio permitem dizer é mais simples: livro bilingue, Passigli Poesia, dezembro de 2007 na data de circulação italiana, ligado ao Sandro Penna de 2008. Exemplares novos somem. O que ainda aparece em loja, com frequência, é usado. Isso não muda a identidade do item. Muda só a chance de achar um lacre.
Onde ele entra na obra
Antes dele estão Os meninos jaguar, o livro das crianças e do Fregene, e Kupahúba, o livro da árvore. Depois dele vêm os prêmios de trajetória, o LericiPea de 2011 e o festival de Vercelli de 2015, e só então a soma tardia da Mondadori. Madre d'acqua fica no meio: já não é o primeiro canto da Amazônia, ainda não é o volume que tenta segurar a obra inteira.
Para quem lê em português, o interesse é direto. A página não esconde o original atrás da tradução. Para quem lê em italiano, é um título de poesia da Passigli, casa pequena ao lado da Mondadori, com um prêmio de nome reconhecível na lírica do país. As duas entradas chegam ao mesmo exemplar.


