Amrik reconstitui a chegada de imigrantes árabes a São Paulo no fim do século XIX. Publicado por Ana Miranda em 1997, o romance acompanha uma família recém-desembarcada e transforma a experiência da imigração em matéria de ficção, com a cidade em plena transformação e a língua portuguesa ainda estrangeira para os personagens.
Sobre o que é Amrik
O livro se organiza em torno da saga de uma família que atravessa o oceano em busca de trabalho e de um lugar na nova sociedade. Ana Miranda reconstrói o cotidiano dos recém-chegados: a hospedaria, as redes de solidariedade, os negócios de rua, os conflitos entre gerações e a convivência difícil com uma cidade que cresce rápido.
O título vem do modo como os personagens se referem ao Brasil ou à América — a palavra aparece na boca dos imigrantes e marca a distância entre o que esperavam e o que encontraram. É um romance sobre deslocamento, memória e pertencimento, temas que atravessam a história da cidade de São Paulo.
Por que o livro se destaca na obra da autora
Depois de Boca do Inferno e O Retrato do Rei, Ana Miranda desloca o olhar do Brasil colonial para o fim do século XIX e para a imigração. O romance mantém o trabalho com documentos, mas troca o cenário de corte e engenho pelo da cidade que se industrializa.
O livro também conversa com leitores interessados na história da imigração árabe no Brasil, tema de presença forte na vida paulistana e ainda pouco frequente na ficção brasileira.
Para quem vale a leitura
Amrik interessa a quem gosta de romances de família, de ficção histórica e de histórias de migração. É uma porta de entrada diferente para a obra de Ana Miranda, porque mostra a autora tratando um período mais recente sem perder as ferramentas que usa no romance colonial: contexto reconstituído, personagens em conflito e uma atenção constante à linguagem.





