Angus - O Primeiro Guerreiro abre a saga do clã MacLachlan no momento em que a Bretanha do século IX está sendo desmontada por invasores do norte. Na edição que a Novas Páginas pôs nas livrarias em 20 de março de 2017, o ano da história é 863: cidades e mosteiros no chão, reis locais diante dos dinamarqueses, e um guerreiro, Angus MacLachlan, que não se curva e tenta juntar uma resistência.
A sinopse da estreia, em 2003, contava o mesmo homem por outro lado. Aos 16 anos ele quer acompanhar o pai, um jarl viking, às guerras na terra dos anglos. Foi treinado para isso desde criança. Quando a campanha acontece, a matança não cabe no código de honra que o pai tinha ensinado. Nascido em 849, filho de mãe celta e pai viking, Angus fica entre dois mundos e escolhe um lado. O mestre que muda a visão dele, naquela edição, chama-se Nennius. O inimigo nomeado na orelha do livro é Ivar Sem-Ossos.
Para quem é o livro
O leitor que chega aqui em geral já ouviu “Angus” como saga brasileira de espada, clã e Idade Média, e quer saber se o primeiro volume é porta de entrada ou se exige os outros. É porta de entrada. Orlando Paes Filho planejou sete romances, do século IX até um horizonte em 2020, mas o volume inicial se sustenta como origem do clã. Quem busca fantasia de escola de magia ou romance juvenil no molde de Harry Potter vai esbarrar no próprio autor: ele reclamou, em 2004, do selo jovem Arxjovem exatamente porque não queria esse encaixe. Disse à Folha que o livro tem violência demais para criança e que preferia perder dinheiro a vendê-lo nessa faixa.
Quem se dá bem com o volume é o leitor de ficção histórica com herói de código, batalha e mapa. A Veja, em maio de 2003, descreveu a estreia como romance ilustrado de 392 páginas, pensado para abrir uma série e também um universo de produtos. A edição de 2017, pela editora Novo Conceito no selo Novas Páginas, tem 368 páginas, ISBN 978-85-8163-851-5, e a casa a apresentou como início de trilogia ilustrada, misturando fantástico e fatos da época.
O que muda entre 2003 e 2017
A primeira edição saiu pela Arxjovem, selo da Siciliano, em maio de 2003, com tiragem inicial de 20 mil exemplares, segundo o autor contou à Folha. A Siciliano informou ao jornal 36 mil cópias vendidas até setembro de 2004. A Veja registrou um investimento de R$ 1 milhão no lançamento. No ano seguinte o autor rompeu com a casa, a Planeta assumiu os direitos para a América Latina e a Espanha, e o volume seguinte conhecido do público, O Guerreiro de Deus, saiu por essa nova editora. O segundo livro previsto ficou retido numa disputa na 8ª Vara Cível de São Paulo.
O relançamento de 2017 não é só capa nova. Paes Filho explicou ao iG que sete livros demoram demais no Brasil, o leitor muda de idade e as editoras resistem a tema medieval. Por isso a saga virou trilogia. O primeiro livro ficou próximo do começo já publicado. Os dois seguintes foram anunciados como material inédito. O UOL registrou o relato de dez anos numa cidade da Serra Catarinense reescrevendo o conjunto. Coberturas desse relançamento repetiram totais altos de exemplares e de países. A Folha de 2004 não confirmou essas cifras. O que ela confirmou foi a ida anunciada a Frankfurt e o contrato da Planeta.
O que o livro não é
Não é quadrinho, embora o autor tenha feito gibi e roteiro de Disney. Não é o RPG que a Folha já via à venda em 2004, nem a trilha que ele disse ter composto para a obra. Não é Rainhas da Guerra, romance de 2025 sobre duas irmãs gêmeas no mesmo século, lançado em Atibaia com exposição de Solano Aquino. E não é um filme: Warner e MGM aparecem na Veja de 2003 como estúdios que estudavam o personagem, e o assunto voltou em 2017 como intenção. Nenhuma dessas reportagens descreve uma adaptação concluída.
Para quem quer o diário templário do mesmo universo medieval, o caminho é outro título. Para quem quer o fundador do clã, o volume certo é este. A edição prática de compra, em português, é a da Novas Páginas, ainda listada na Amazon com o ISBN acima.


