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Orlando Paes Filho

Nascimento: 1962 São Paulo, SP
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Paulistano de 1962, autor da saga Angus e de romances medievais que passaram pela Siciliano, pela Planeta e pela Novas Páginas.

Em maio de 2003, a Siciliano mandou para as livrarias uma tiragem inicial de 20 mil exemplares de Angus, o Primeiro Guerreiro, no selo Arxjovem. Orlando Paes Filho, paulistano, contou à Folha que tinha começado aquele guerreiro escocês em 1977, ainda adolescente, e que o livro impresso chegava depois de 25 anos de trabalho.

Quem procura o nome quase sempre quer o clã MacLachlan, não um currículo. A reportagem de 30 de setembro de 2004 o apresentava como ex-piloto de helicópteros e publicitário, com clientes como a Marvel e os estúdios Warner, e ao mesmo tempo como parte numa ação na 8ª Vara Cível de São Paulo. A biografia pública dele cabe nesse contraste: um autor que desenhou um épico de sete volumes e, no ano seguinte à estreia, trocou de editora no meio do caminho.

Quem é Orlando Paes Filho

Orlando Paes Filho nasceu em São Paulo em 13 de março de 1962. A idade bate com a revista Veja de 7 de maio de 2003, que o descrevia aos 41 anos, no lançamento. O ofício, nas duas redações, é o mesmo: escritor e publicitário paulistano, dono de uma saga medieval que ele mesmo ilustrava.

A data em que Angus nasceu na cabeça dele oscila conforme a fonte que ele mesmo alimentou. À Folha disse 1977. No texto de autor que a Amazon publica, a ideia de Angus MacLachlan aparece em 1978, e o miolo da série teria sido pensado a partir do sétimo romance, não do primeiro. A Veja acrescenta um marco de papel: em 1981 ele registrou os direitos da história e foi renovando esse registro. Em entrevista ao R7, em 2017, disse que aos 14 anos era estudante e vendedor de tecidos.

O que a imprensa registra, sem lacuna de ofício, é a atuação: livros, um gibi próprio, roteiros de quadrinhos e uma briga contratual com nome de juízo, de advogado e de editora.

O que Angus propõe

A série foi desenhada, segundo a Folha, para sete volumes, com pano de fundo do século IX até 2020. O herói é Angus MacLachlan. Na sinopse da edição de 2003, ele é um jovem de 16 anos, filho de um jarl viking e de mãe celta, treinado para acompanhar o pai às guerras na terra dos anglos. Quando a campanha chega, a barbárie não combina com o exemplo de honra que o pai tinha dado. Na edição de 2017, a porta de entrada muda de frase, não de mapa: Bretanha, ano de 863, mosteiros e cidades no chão, invasores do norte, e um guerreiro que não se curva.

Paes Filho disse à Folha que o objetivo era passar informação histórica e, mais do que isso, “divulgar uma série de valores perdidos”: palavra empenhada, decência, respeito. Comparou o tom a Rei Arthur e a Conan, como referências de épico, não como medição de vendagem. A frase mais seca que deixou sobre o próprio livro foi outra: “Minha obra não é profunda, de grande mérito literário, mas não é infantil. Tem muita violência no conteúdo.”

A troca da Siciliano pela Planeta

O contrato com a Siciliano é de 2002. O primeiro volume saiu em maio de 2003. Paes Filho disse à Folha que a relação só piorou e que rompeu com a casa no início de 2004. Angus, o Guerreiro de Deus, livro que ele tinha previsto como terceiro da coleção, chegou às gôndolas pela Planeta, que comprou os direitos para a América Latina e a Espanha. O segundo romance, segundo a reportagem, estava pronto, mas só podia ser visto no escritório do autor ou numa pasta da 8ª Vara Cível, onde foi depositado em juízo.

O advogado dele era Manoel Ignácio Torres Monteiro. A tese era que a Siciliano teria descumprido cláusulas, em especial o atraso de um plano de divulgação. Ana Emília de Oliveira Silva, editora-geral da Siciliano, respondeu por escrito o contrário: a casa teria pedido os originais no prazo, o atraso do autor é que teria impedido detalhar a campanha, e o plano já constava do contrato. Para ela, a mudança de casa era financeira, porque a Planeta tinha filial no Brasil e podia lançar a obra fora. Paes Filho negou. A crítica pública dele ao selo Arxjovem, e não ao selo adulto Arx, era outra: o selo jovem pegaria carona em fenômenos como Harry Potter. “Prefiro perder dinheiro a vender Angus para crianças. Se fosse pelo dinheiro, não criaria um épico, investiria na Bolsa.”

Ana Emília afirmou que a escolha do selo tinha sido conjunta e que o livro fizera sucesso com jovens. O número que a Siciliano deu à Folha: 36 mil exemplares do primeiro volume entre maio de 2003 e o fim de setembro de 2004, o bastante para listas de mais vendidos. A Planeta, sem abrir cifra, disse que os pedidos da rede Siciliano estavam abaixo do esperado. Na semana da reportagem, lojas da rede passaram a encomendar a edição da Planeta. Paes Filho comentou, no vocabulário do próprio livro, que preferia um adversário mais digno.

Em agosto de 2004 ele tinha entrado com ação para declarar inexistente a relação contratual sobre o segundo romance. O juiz Edmundo Lellis Filho deferiu o pedido, o que permitiria negociar aquele livro com outra casa. A Siciliano recorreu. A Folha tratou o resultado como primeira batalha ganha, não como fim da guerra. Na semana seguinte ao texto, o jornal anunciava estande individual dele na Feira de Frankfurt, de frente para o da Random House, e, para novembro, a publicação nas casas da Planeta na América Latina e na Espanha, além de versão em espanhol nos Estados Unidos. Seria o primeiro título exportado pela filial brasileira da Planeta para a matriz.

Quadrinhos, RPG e trilha

Angus não ficou só em romance. A Folha, em 2004, já registrava um jogo de RPG no mercado, um projeto de filme nas mãos de um agente em Los Angeles e uma trilha ainda inédita. A Veja, no lançamento, escreveu que Warner e MGM estudavam o personagem para o cinema e que a Siciliano tinha investido R$ 1 milhão na estreia, mais do que a Rocco gastara pouco antes para divulgar Onze Minutos, de Paulo Coelho. O filme não aparece como obra concluída nessa cobertura, nem na de 2017, quando o assunto voltou como intenção.

  • Spirit of Amazon, março de 1998, NW Studios: minissérie de 32 páginas, roteiro de Orlando Paes Filho, desenho de Rodrigo Luiz Pereira, sobre a floresta e o confronto com a Unicon.
  • Roteiros de quadrinhos Disney para a Abril: o nome entra na lista de argumentistas brasileiros reunida pelo Universo HQ em 2004.
  • RPG de Angus já à venda em 2004, conforme a Folha, antes mesmo de a série mudar de casa.
  • Trilha assinada por ele: no relançamento de 2017, disse ao R7 que deixaria as faixas de graça no site da obra.

A trilogia de 2017 e Rainhas da Guerra

A saga sumiu do lançamento contínuo e voltou em 2017 pelo Grupo Editorial Novo Conceito, selo Novas Páginas. O iG ouviu o autor em abril daquele ano. A explicação para trocar sete livros por três foi operacional: lançar sete volumes no Brasil demora, o leitor muda de idade e as editoras não gostam de tema medieval. O primeiro volume repetia o começo já conhecido. Os dois seguintes foram anunciados como inéditos. A edição de Angus, o Primeiro Guerreiro dessa fase tem 368 páginas. O R7 cobriu o lançamento numa taverna de clima medieval em São Paulo e a trilha composta pelo autor.

O UOL, em texto de Rodrigo Casarin, registrou o relato de um isolamento de dez anos numa cidade pequena da Serra Catarinense para reescrever a saga. A mesma cobertura do relançamento repetiu cifras altas de exemplares e de países. A Folha de 2004 não auditou esses totais. O que o jornal documentou, à época, foi a tiragem inicial, os 36 mil exemplares informados pela Siciliano, o contrato com a Planeta para América Latina e Espanha e o estande anunciado em Frankfurt.

Em 22 de fevereiro de 2025, Atibaia recebeu o lançamento de Rainhas da Guerra no Museu Municipal João Batista Conti, das 14h às 17h, com exposição do artista plástico Solano Aquino. Jornais da região descreveram um romance de duas irmãs gêmeas no século IX diante de um exército viking, com a guerra ao lado de uma história de amor e do lugar das mulheres naquele mundo. É o mesmo século de Angus, com o centro deslocado para duas personagens. O anúncio do título ficou na agenda do museu e nos jornais da região.

Onde a obra circula hoje

A porta prática continua sendo a edição da Novas Páginas de Angus, o Primeiro Guerreiro, à venda na Amazon, e o perfil de autor na mesma loja. No Instagram @orlandopaesfilho ele fala na primeira pessoa de pintura, de Angus e do Diário de um Cavaleiro Templário relançado pela editora Crux. Esse diário já tinha saído pela Record em meados dos anos 2000, com a capa avisando “autor da série Angus”. A edição nova, ilustrada por Solano Aquino, é outro objeto, não um volume a mais do clã.

Quem lê saga brasileira de fantasia comercial da mesma geração encontra também André Vianco, autor de Os Sete. Outros nomes de literatura estão em Literatura. Orlando Paes Filho não virou um autor de um livro só nem um caso encerrado de tribunal: o registro público é o de alguém que passou décadas no mesmo mapa medieval, brigou com a primeira editora e continuou redesenhando esse mapa como trilogia, spin-off e diário ilustrado.

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