As Parceiras é o primeiro romance de Lya Luft, publicado em 1980, quando a autora já tinha mais de quarenta anos, dois livros de poemas e uma coletânea de contos. A estreia em ficção longa veio depois de um acidente de carro quase fatal em 1979 e do conselho do editor Pedro Paulo Sena Madureira, da Nova Fronteira, de que ela tentasse o romance. O resultado foi uma visão feminina de uma família marcada pela loucura, pela morte e pela desagregação.
A protagonista Anelise convive, no casarão, com a avó Catarina, casada à força aos 14 anos; a tia Beata, “viúva virgem”; a tia anã e outras mulheres que sustentam a casa e o drama. Não é um livro de teses: é um livro de atmosfera, de parentes que não se salvam uns aos outros e de um destino familiar que aperta o cerco. A crítica da época falou em acontecimento intelectual; décadas depois, a obra ainda aparece em vestibulares, inclusive o da UFRGS.
Por que este romance importa na obra
Quem conhece Lya só por Perdas e Ganhos encontra aqui outra escritora: mais sombria, mais teatral, menos conversa e mais casa fechada. As Parceiras abre a série de romances dos anos 1980 — A Asa Esquerda do Anjo, Reunião de Família, O Quarto Fechado — em que família, gênero e morte se entrelaçam. A Record manteve o título em catálogo em edições posteriores; a edição corrente reúne 128 páginas e o selo da casa que publicou a maturidade da autora.
Não é leitura “leve”. Há leitores que saem deprimidos, e isso não é falha de marketing: o livro descreve um mundo em que as personagens femininas têm pouca folga diante da história da casa. Quem busca a cronista otimista da maturidade deve ir a outro título. Quem busca a romancista que a crítica gaúcha e nacional primeiro reconheceu começa aqui.
Para quem ler
- Estudantes e leitores de literatura brasileira contemporânea.
- Quem quer a estreia em romance, não o best-seller de 2003.
- Quem pesquisa a representação da família e da mulher na ficção dos anos 1980.
A edição da Record em português é a referência de compra. O volume é curto; o peso está na densidade, não na extensão.





