Em 2017, Eliane Brum deixou São Paulo e se mudou para Altamira, no Pará. Não foi retiro de escritora em busca de silêncio: foi a decisão de viver no epicentro de um dos maiores conflitos socioambientais do país. Banzeiro òkòtó: uma viagem à Amazônia Centro do Mundo, lançado em 2021 pela Companhia das Letras, é o livro em que essa escolha vira obra de quase 450 páginas.
Mistura de relato pessoal e investigação jornalística, o volume denuncia a escalada de devastação da floresta e reflete sobre o colapso climático a partir de quem adotou a Amazônia como casa. Para o leitor que quer a fase contemporânea da autora — depois das reportagens de rua e do romance —, este é o livro central.
Do que trata
Brum cruza trajetória íntima e apuração de campo. Conta a mudança para Altamira, cidade marcada pela hidrelétrica de Belo Monte e por altos índices de violência, e percorre histórias da floresta, de povos e de agentes da destruição. O título em tupi e iorubá aponta para a ideia de banzeiro — a água revolta — e de um centro do mundo deslocado: a Amazônia como eixo, não como periferia exótica.
A autora denuncia o avanço da devastação rumo ao ponto de não retorno e articula raça, classe e gênero ao destino da floresta e da Terra. Não é guia turístico nem manual de sustentabilidade: é um livro de denúncia e de presença.
Para quem é indicado
- Leitores de não ficção ambiental e de reportagem de longo fôlego;
- Quem acompanha o debate sobre Amazônia, clima e povos da floresta;
- Leitores de Eliane Brum que já passaram por A vida que ninguém vê e querem a fase de Altamira;
- Quem busca compreender a relação entre o jornalismo da autora e a plataforma Sumaúma, fundada no ano seguinte ao lançamento do livro.
Contexto na carreira
Brum percorre a Amazônia como repórter há décadas; a moradia em Altamira aprofunda o ponto de vista. O livro chega depois de Brasil, construtor de ruínas (2019) e antes do lançamento da Sumaúma (2022), formando com eles um bloco coerente: análise do país, imersão na floresta e criação de um veículo sediado no território.
A edição da Companhia das Letras (ISBN 978-65-592-1302-3) tem 448 páginas e saiu em outubro de 2021. Há traduções e edições internacionais, inclusive em inglês, que ampliaram a circulação da obra fora do Brasil.
O que esperar da leitura
Espere prosa literária sem ficcionalizar fatos. Espere cenas duras e reflexão política. Não espere um “resumo da Amazônia” em tom didático de manual escolar: o livro exige disposição para acompanhar a autora no terreno e na argumentação.
Quem procura apenas dados consolidados de desmatamento pode preferir relatórios técnicos. Quem quer entender como uma repórter transforma a moradia na fronteira em projeto intelectual e existencial encontra aqui a resposta mais completa da obra impressa de Brum até o momento.
Onde comprar
O volume em português está à venda no site da Companhia das Letras e em livrarias online, inclusive na Amazon. Confira o subtítulo Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo e a autoria de Eliane Brum para garantir a edição correta.




