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Foto de perfil de Eliane Brum

Eliane Brum

Nascimento: 1966 Ijuí, RS / Altamira, PA
Eliane Brum é jornalista, escritora e documentarista brasileira, autora de A vida que ninguém vê e Banzeiro òkòtó, e fundadora da plataforma Sumaúma na Amazônia.

Há reportagens que cabem no ciclo do noticiário e há textos que insistam em gente que o jornalismo costuma deixar de lado. Eliane Brum construiu carreira exatamente nessa segunda trilha: a da vida ordinária tratada com o rigor e a densidade que costumam ser reservados a grandes nomes e a grandes eventos.

Jornalista, escritora e documentarista nascida em Ijuí, no Rio Grande do Sul, em 1966, ela se formou na PUC-RS em 1988 e percorreu redações de peso — Zero Hora, revista Época — antes de se tornar freelancer e coluna do El País. A obra que a tornou referência, o livro-reportagem A vida que ninguém vê, e a mudança para Altamira, no Pará, em 2017, resumem o que o público busca quando digita o nome dela: alguém que trata o Brasil real, a Amazônia e o conflito com a floresta sem recuar para o clichê.

Quem é Eliane Brum

Eliane Brum é uma das vozes mais premiadas do jornalismo brasileiro de reportagem. Tetraneta de friulanos, cresceu no sul do país e levou para a escrita a atenção ao detalhe miúdo, à fala das pessoas e à cena que o telejornal em geral não alcança. Trabalhou cerca de onze anos como repórter no jornal Zero Hora, em Porto Alegre, e cerca de dez como repórter especial da revista Época, em São Paulo. Desde 2010 atua de forma independente.

Entre 2009 e 2013 manteve coluna no site da Época; a partir de outubro de 2013 passou a escrever no El País. Em paralelo, publicou livros de reportagem, crônicas, um romance e um volume memorialístico, e codirigiu documentários. Em 2021 recebeu o prêmio Maria Moors Cabot, da Escola de Jornalismo da Universidade Columbia, reconhecimento concedido a iniciativas de destaque em reportagem nas Américas.

Origem, formação e caminho profissional

A trajetória começa no interior gaúcho e se consolida na capital do Rio Grande do Sul. A formação em jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em 1988, abre a porta da redação em um momento em que a reportagem de fôlego ainda disputava espaço com a rotina diária do jornal. Em Zero Hora, Brum aprendeu a rotina do diário; na Época, ganhou fôlego para matérias longas e temas que exigiam meses de apuração.

O freelancing, a partir de 2010, não foi retiro: foi reorganização. Sem o freio editorial de uma única revista, ela ampliou a presença em veículos internacionais e em plataformas próprias de texto, mantendo o site elianebrum.com como arquivo e vitrine de colunas e ensaios.

O método: reportagem que se aproxima da literatura da vida real

Quem lê Brum reconhece um método insistente. Ela não se contenta com a fala oficial nem com o ângulo que já circula. Prefere ficar tempo demais no campo, ouvir quem não costuma ser ouvido e devolver o material em prosa densa, quase narrativa de ficção — sem abrir mão da checagem. Esse cruzamento entre jornalismo e literatura aparece de forma explícita no subtítulo de O olho da rua: “uma repórter em busca da literatura da vida real”.

  • Atenção prolongada a personagens e situações que fogem do noticiário quente;
  • Linguagem literária a serviço da reportagem, sem inventar fato;
  • Interesse recorrente por periferias, corpos, violência, natureza e poder;
  • Disponibilidade para viver no território sobre o qual escreve, como na mudança para a Amazônia.

Livros, prêmios e obras que o leitor encontra primeiro

O ponto de entrada mais citado da obra impressa é A vida que ninguém vê (Arquipélago Editorial, 2006), coletânea de reportagens premiada com o Prêmio Jabuti de Reportagem em 2007. Antes, já havia publicado Coluna Prestes – O avesso da lenda (1994). Vieram depois O olho da rua (Globo, 2008), o romance de estreia Uma Duas (LeYa, 2011), a coletânea de crônicas A menina quebrada (Arquipélago, 2013, Prêmio Açorianos de Melhor Livro do Ano no mesmo ano), o memorialístico Meus desacontecimentos (2014), o ensaio político Brasil, construtor de ruínas (2019) e o amplo Banzeiro òkòtó: uma viagem à Amazônia Centro do Mundo (Companhia das Letras, 2021).

Em 2010, a reportagem “O Islã dos Manos”, publicada na Época no ano anterior, rendeu-lhe o 27º Prêmio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha. A lista de prêmios nacionais e internacionais ultrapassa as quatro dezenas, segundo o próprio perfil público da autora.

Documentários e a voz além da página impressa

Além dos livros, Brum codirigiu documentários como Uma História Severina (com Debora Diniz), Gretchen Filme Estrada (com Paschoal Samora), Laerte-se (com Lygia Barbosa da Silva) e Eu+1: Uma jornada de saúde mental na Amazônia. O cinema e o documentário ampliam o mesmo olhar: corpos, identidades e territórios que o mainstream empacota em manchete rasa.

Na imprensa escrita, a coluna no El País e a presença em veículos como o The Guardian reforçam uma circulação que não se limita ao mercado editorial brasileiro. No Instagram, o perfil @brumelianebrum reúne centenas de milhares de seguidores e funciona como canal direto de anúncios de livros, eventos e da plataforma que fundou.

Altamira, Amazônia e o jornalismo Sumaúma

Em 2017, Eliane Brum deixou São Paulo e passou a viver em Altamira, no Pará — cidade marcada pela hidrelétrica de Belo Monte, por violência e por pressão sobre a floresta. A decisão não foi só biográfica: ela a apresenta como escolha política e profissional, a de escrever a partir do lugar que considera centro do mundo em disputa climática e territorial.

Em setembro de 2022, lança com parceiros o veículo trilíngue Sumaúma, sediado em Altamira, ao lado de nomes como Jonathan Watts (editor global de meio ambiente do The Guardian), Carla Jimenez, Talita Bedinelli e Verônica Goyzueta. O projeto se propõe a cobrir a Amazônia com olhar de quem está dentro da floresta e a “amazonizar” o debate público. Brum atua como fundadora e diretora de redação.

Por que Eliane Brum interessa a quem busca jornalismo e literatura

Quem chega a ela costuma querer três coisas: entender o estilo de reportagem que virou livro, mapear a obra impressa e acompanhar a cobertura da Amazônia feita por quem morou no epicentro do conflito. Em um país em que a fronteira entre opinião, denúncia e literatura de não ficção é porosa, Brum ocupa um lugar próprio — mais próxima da reportagem literária do que do comentário de estúdio, e mais próxima do território do que do púlpito distante.

Leitores de não ficção brasileira, de jornalismo narrativo e de debates ambientais encontram nela uma ponte entre a tradição da grande reportagem e a urgência climática. Quem já lê nomes como Miriam Leitão no debate público brasileiro encontra, em Brum, outro eixo: menos cotação econômica de manhã, mais rua, floresta e corpos.

Onde acompanhar e o que ler primeiro

Para começar pela obra que a consagrou no mercado editorial, A vida que ninguém vê continua o cartão de visita. Para entender a fase amazônica, Banzeiro òkòtó é o volume mais direto. Quem prefere ficção pode partir de Uma Duas. Colunas e ensaios atuais circulam no El País e no site da autora; a cobertura da floresta, na Sumaúma.

Em resumo: Eliane Brum é a repórter que transformou a vida “que ninguém vê” em matéria-prima de livros, documentários e de um jornalismo sediado na Amazônia. Quem busca biografia, obra e contexto da autora encontra, nas páginas dela e nas plataformas oficiais, o mapa para seguir a trilha.

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Projetos de Eliane Brum

A vida que ninguém vê
A vida que ninguém vê
Livro-reportagem de Eliane Brum sobre histórias fora do noticiário, vencedor do Prêmio Jabuti de Reportagem em 2007.
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Uma Duas
Uma Duas
Romance de estreia de Eliane Brum, publicado pela LeYa em 2011, com foco em relações íntimas e prosa literária.
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Sumaúma
Sumaúma
Plataforma de jornalismo trilíngue fundada por Eliane Brum e parceiros em Altamira, com foco na Amazônia.
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