Caderno de pinturas e desenhos reúne trabalhos visuais de Cornélio Penna, artista plástico antes de se tornar um dos romancistas centrais da literatura brasileira do século XX. O volume, publicado pela Faria e Silva em 2020, dá a ver a produção que o autor apresentou em exposições e assinou em suplementos culturais nas décadas de 1920 e 1930.
Antes de publicar Fronteira, em 1935, Cornélio Penna era conhecido como pintor, gravador, ilustrador e desenhista. Realizou sua primeira exposição individual em 1920, participou da 30ª Exposição Geral de Belas Artes, em 1923, e ilustrou páginas de jornais e revistas culturais. No início da década de 1930, deixou as artes plásticas para se dedicar inteiramente à escrita — mas nunca abandonou de todo o olhar de quem aprendeu a compor imagens.
O artista antes do romancista
Como artista, Penna dizia sentir-se aprisionado em grades que ele mesmo acreditava ter construído, sem conseguir se libertar delas. Esse sentimento aparece nos desenhos e nas pinturas reunidos no caderno: figuras contidas, espaços fechados e uma tensão entre o que se mostra e o que se esconde. A seleção de trabalhos ajuda a entender por que a crítica da época acompanhou sua produção visual com atenção.
O que o volume revela sobre a literatura
Quem lê Cornélio Penna percebe a atmosfera de penumbra e a força das imagens em seus romances. O caderno mostra de onde vem parte desse repertório: o traço econômico, o gosto pelo claro-escuro e a composição de cenas que parecem quadros. Para pesquisadores da relação entre literatura e artes visuais no modernismo brasileiro, o volume é uma fonte direta de comparação entre as duas fases do autor.
Para quem é o volume
O livro interessa a leitores de Cornélio Penna que querem conhecer sua formação artística, a estudiosos de artes visuais e a colecionadores de obras sobre o modernismo. São 120 páginas que funcionam tanto como introdução ao artista quanto como complemento à leitura dos romances.





