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Canção do exílio e outros poemas

Livro
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Antologia do bicentenário de Gonçalves Dias, com a Canção do Exílio e poemas indianistas, líricos e satíricos.

Canção do exílio e outros poemas é a antologia com que a editora Novo Século marcou o bicentenário de Gonçalves Dias, em 2023. O volume de 320 páginas não substitui os Primeiros Cantos de 1846: oferece um panorama da produção, da poesia indianista à lírica e à satírica, esta última ainda de pouca circulação. O poema que dá nome ao livro abre a porta; o restante impede que o leitor saia só com o sabiá.

“Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o Sabiá” continua sendo o anzol. A Novo Século aposta que, passado o verso famoso, ainda há o artista que pesquisou culturas indígenas, estudou o folclore e quis contribuir para o reconhecimento do Brasil depois da Independência. A antologia trata essa matéria como conjunto, não como cartão-postal.

O que o volume reúne

O recorte passa pela poesia indianista, pela lírica amorosa e por peças satíricas que o circuito escolar quase não vê. Isso importa. A fama de Gonçalves Dias colou num único texto escrito em Coimbra em 1843; o bicentenário foi pretexto para mostrar que o mesmo autor escreveu mais, e de outros tons. A simplicidade da Canção do Exílio — o cá da velha metrópole, o lá da antiga colônia — continua inovadora na boca de um estudante; o livro inteiro mostra o que veio antes e depois desse contraste.

Não é edição crítica da obra completa organizada por Alexei Bueno, nem o volume de Leipzig de 1857 que reuniu os cantos com peças inéditas. É uma seleção contemporânea, em português, pensada para o leitor de agora que quer o poema canônico e um entorno. Com 320 páginas, sobra espaço para ir além da plaquete escolar sem exigir o tratado acadêmico.

Para quem faz sentido

A antologia serve a quem chega pelo bicentenário, pelo hino ou pela escola e quer um livro só, em capa comum, com mais do que a Canção do Exílio. Serve também a quem já tem os Primeiros Cantos e procura a face satírica, menos reimpressa. O ISBN 978-6555616262 identifica a edição da Novo Século no mercado brasileiro.

Estudante de vestibular pode preferir o livro de 1846 ou o volume de I-Juca-Pirama, conforme o programa. Leitor de estante que quer um objeto do bicentenário, com recorte variado, encontra aqui o meio-termo: não é a obra completa, não é um único poema. Para a conversa de literatura brasileira, é o volume que trata o aniversário de 200 anos como leitura, não como efeméride vazia.

O que esta edição não é

Não substitui Primeiros Cantos, nem o épico de I-Juca-Pirama, nem o dicionário tupi. Também não é o teatro. Na hora de comprar, vale conferir o nome da Novo Século e o ISBN 978-6555616262, para não levar outra antologia com título parecido ou um e-book de um único poema.

O ganho prático é o recorte. Quem só recita o sabiá recebe, neste livro, a prova de que Gonçalves Dias escreveu mais — e de que o poema das palmeiras fica maior quando deixa de andar sozinho.

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