Canudos: Diário de uma expedição é a matéria-prima jornalística de Euclides da Cunha antes de Os Sertões. Reúne as crônicas enviadas de 1897 a O Estado de S. Paulo, quando o engenheiro foi ao sertão da Bahia cobrir a última fase da campanha contra o arraial de Antônio Conselheiro.
Quem abre este volume não encontra ainda o monumento de 1902. Encontra o correspondente no chão: data, marcha, poeira, tropa, rumor. É o caderno que depois virou livro. Por isso a leitura emparelhada funciona: o diário mostra o que ele viu; Os Sertões mostra o que ele passou cinco anos tentando entender.
O que há neste livro
Em agosto de 1897, depois dos artigos A nossa Vendeia, Júlio de Mesquita o convocou como correspondente. Nomeado adido ao Estado-Maior, Euclides ficou no sertão de 7 de agosto a 1º de outubro. As matérias saíram no jornal entre agosto e outubro daquele ano. O diário preserva esse ritmo de expedição: o olhar ainda republicano, a comparação com a Vendeia, o espanto crescente diante de um povo que não cabia no rótulo de restaurador da monarquia.
A edição da Martin Claret, em bolso, serve a quem quer o texto de campanha sem o aparato científico da terra e do homem. São 184 páginas. Não substitui Os Sertões. Antecipa.
Para quem é
Indicado para quem já tem o livro maior na estante e quer ver a costura: o que era reportagem e o que virou ensaio. Também para o leitor que desistiu da prosa caudalosa de 1902 e precisa de uma porta mais curta para Canudos. Não serve a quem espera o romance da guerra nem a reconstituição completa das quatro expedições. O correspondente saiu quatro dias antes do fim. O diário herda esse limite.
Gilberto Freyre escreveu introdução para uma edição anterior do material. A frase útil continua a mesma: isto é jornalismo de campanha, não o livro-vingador. Quem quiser a tese, vai a Os Sertões. Quem quiser o chão da cobertura, começa aqui.



