Cartola (álbum de 1974) é o disco que inaugurou a carreira solo do sambista, lançado quando ele tinha 65 anos e mais de quatro décadas de composições acumuladas. Até então, sua obra circulava principalmente pela voz de outros intérpretes, de Francisco Alves a Aracy de Almeida. O álbum, editado pelo selo Marcus Pereira, foi o primeiro registro em que o público ouviu Cartola cantando seus próprios sambas em um LP inteiro.
A produção ficou a cargo de João Carlos Botezelli, o Pelão, com direção artística de Aluizio Falcão e arranjos do violonista Dino 7 Cordas. A escolha do repertório equilibra composições antigas e novas: "Alvorada", feita com Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho, "O Sol Nascerá", parceria com Elton Medeiros, "Tive Sim", "Acontece", "Disfarça e Chora" e "Alegria" estão entre as faixas.
Por que esse disco importa
O álbum de 1974 reorganizou a percepção pública sobre Cartola. Um compositor que havia sido dado como desaparecido nos anos 1950 e que vivia do Zicartola e de trabalhos informais passou a ser tratado como um dos grandes autores do samba carioca. O disco recebeu elogios da crítica e abriu caminho para a sequência de lançamentos que se seguiu.
Em 2007, a versão brasileira da revista Rolling Stone colocou "Cartola" na 52ª posição da lista dos 100 maiores discos da música brasileira, consolidando a gravação como uma porta de entrada para a obra do sambista.
Faixas em destaque
- "Alvorada" — samba feito a seis mãos com Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho.
- "O Sol Nascerá" — parceria com Elton Medeiros composta no Zicartola.
- "Tive Sim" — samba gravado por Ciro Monteiro em 1968 e revisitado por Cartola no disco.
- "Acontece" — composição dele que se tornou uma das mais conhecidas de seu repertório.
Para quem quer conhecer o samba de Cartola pelo começo, este é o disco de entrada. A edição em vinil faz parte da série Clássicos em Vinil, que relançou parte da discografia do sambista.





