Contexto e proposta de Cidadãos Não Vão ao Paraíso
Cidadãos Não Vão ao Paraíso parte de um diagnóstico incômodo sobre a educação brasileira nos anos 1980 para discutir juventude, políticas sociais e a própria ideia de cidadania. Publicado em 1994 pela Escuta, em parceria com a Editora da Unicamp, o livro tem origem na tese de livre-docência defendida por Alba Zaluar na Unicamp em 1991.
Com 208 páginas, a obra examina os resultados limitados das políticas educacionais do período e propõe recompor a noção de direitos. O argumento central é que não basta garantir direitos sociais, como escola e saúde, se eles não vierem acompanhados dos direitos civis e políticos que permitem às pessoas participar das decisões sobre a própria vida.
Alba observa como a juventude pobre aparece nas políticas públicas ora como problema de segurança, ora como alvo de programas assistenciais, quase nunca como sujeito de direitos. A partir de pesquisa empírica, ela discute criminalidade, escola, família e mercado de trabalho sem recorrer a determinismos, mantendo o rigor metodológico que marca sua produção.
O livro interessa a educadores, assistentes sociais, gestores públicos e pesquisadores da área social, e segue atual para quem discute juventude, evasão escolar e políticas de proteção. É uma leitura que ajuda a entender por que a garantia formal de direitos não produz cidadania automática, tema que atravessa toda a obra da autora.





