Como um grupo de jovens sem mandatos nem partidos grandes ajudou a empurrar o maior processo de impeachment do século no Brasil? Em Como um grupo de desajustados derrubou a presidente – MBL: A Origem, Kim Kataguiri e Renan Santos narram a fundação e a escalada do Movimento Brasil Livre até a queda de Dilma Rousseff.
O livro mistura bastidores de organização, estratégia de rua e de rede, e a visão dos próprios coordenadores sobre o que o MBL fez — e como se via — entre 2014 e 2016. É a obra-fonte para quem quer a versão dos fundadores, não só a cobertura jornalística externa.
Proposta e recorte
Publicado em 2019 pela Record, o título trata da origem do MBL, das manifestações, da marcha a Brasília e do encaixe do movimento no ciclo político que levou ao impeachment. O tom é de relato engajado: os autores escrevem como protagonistas, com linguagem direta e defesa explícita do projeto liberal que criaram.
Para o leitor, o valor está no ângulo interno — nomes, decisões, conflitos e a narrativa de “desajustados” que saíram do YouTube e das praças para pressionar o Congresso. Quem já conhece o MBL pela imprensa encontra aqui o storytelling oficial da fundação.
- Autoria de Kim Kataguiri e Renan Santos
- Relato da origem do Movimento Brasil Livre
- Contexto das manifestações e do impeachment de Dilma
- Leitura de quem esteve na coordenação do movimento
Público e uso
Indicado para quem estuda movimentos sociais digitais, política brasileira recente, comunicação de protesto ou a trajetória de Kim e do MBL. Também funciona como contraponto a biografias e reportagens críticas: é a voz do lado de dentro.
Não substitui fontes jornalísticas independentes nem o acervo legislativo posterior de Kataguiri no Congresso. Serve, sim, como documento da autoconstrução do MBL no momento em que o movimento deixava de ser só hashtag e virava força de pressão nacional. A edição em português circula em papel e digital, inclusive na Amazon.
Lugar na obra de Kim
Enquanto Quem é esse moleque documenta a fase de colunista, MBL: A Origem documenta a fase de organizador de rua e rede. Juntos, os dois livros cobrem o arco que vai do ativismo à eleição de 2018 — sem ainda detalhar o dia a dia do mandato federal.
A coautoria com Renan Santos reforça o caráter coletivo da narrativa: o MBL não é apresentado como projeto de uma pessoa só, embora Kim seja o rosto mais midiático do grupo em vários momentos.
Limites e leitura crítica
Por ser relato de fundadores, o livro privilegia a versão interna do movimento. Fatos de calendário — marchas, atos, embates com redes sociais e adversários — aparecem filtrados pela memória e pelo argumento político dos autores. Cruzar com cobertura da imprensa e com o verbete biográfico público de Kataguiri ajuda a separar timeline de interpretação.
Ainda assim, para quem quer entender por que o MBL se descreve como “grupo de desajustados” e como essa identidade virou marca, o título continua sendo a referência comercial e editorial mais direta ligada a Kim e Renan.



