Lançado em 5 de julho de 1995, Da Lata é o terceiro álbum solo de Fernanda Abreu e o disco que consolidou o "suingue-balanço-funk" como uma linguagem própria dentro da música brasileira. Produzido por Liminha e pelo inglês Will Mowat, do grupo Soul II Soul, o trabalho partiu de uma ideia simples de explicar e difícil de executar: encontrar o ponto de encontro entre o batuque de lata dos morros cariocas e a produção eletrônica de ponta que dominava as pistas internacionais.
O que faz de Da Lata um marco
O título vem de duas referências que a artista sempre fez questão de explicar. A primeira é a batucada de lata, o som percussivo e áspero que atravessa o imaginário das periferias brasileiras. A segunda é o caso policial de 1987, quando toneladas de maconha despejadas no mar por traficantes chegaram às praias do Rio dentro de latas, e a gíria "da lata" passou a significar algo bom, especial, quase proibido. Fernanda usou as duas imagens para falar de um Brasil que a indústria ainda tratava como periférico: o samba-funk que misturava tamborim, pandeiro, drum machine e sampler sem pedir licença a nenhum gênero.
Em 1995, a dance music já era fenômeno mundial, mas o Brasil ainda discutia se aquele som poderia ser nacional. Da Lata respondeu com faixas que soavam ao mesmo tempo cariocas e cosmopolitas, e a crítica reconheceu o disco como um dos projetos mais coesos da música pop brasileira dos anos 1990.
As faixas e os parceiros
São treze faixas que funcionam como um retrato da cidade. "Veneno da Lata", parceria com Will Mowat, abre o disco com um refrão que virou palavra de ordem; "Garota Sangue Bom", escrita com Fausto Fawcett, transformou a expressão em apelido da própria cantora; "Brasil É o País do Suingue" leva a assinatura de Fawcett, Carlos Laufer e Hermano Vianna; e "A Tua Presença Morena" é uma regravação de Caetano Veloso.
- Veneno da Lata — parceria com Will Mowat, com participação de Herbert Vianna;
- Garota Sangue Bom — parceria com Fausto Fawcett, o single mais lembrado do disco ao lado de "Veneno da Lata";
- Tudo Vale a Pena — parceria com Pedro Luís, então um nome da cena alternativa carioca;
- A Lata — traz o poema de Chacal musicado no disco;
- Babilônia Rock — versão dançante de Robson Jorge produzida por DJ Memê;
- É Hoje — releitura do samba-enredo da União da Ilha do Governador.
Billboard, Disco de Ouro e turnê internacional
Da Lata vendeu mais de 100 mil cópias no Brasil, recebeu Disco de Ouro da ABPD e foi escolhido pela revista americana Billboard como o melhor álbum latino-americano de 1995. O disco abriu as portas da carreira internacional: Fernanda apresentou a turnê na Europa e na Ásia, passando por França, Itália, Alemanha, Suíça, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Japão, e o álbum ganhou lançamentos no mercado europeu e japonês. A turnê ficou marcada pelo cenário construído com uma tonelada de sucata e pelo figurino de metal usado pela cantora no palco.
Como ouvir Da Lata hoje
O álbum está disponível nas plataformas de streaming, incluindo Apple Music, Spotify e Amazon Music. Em 2025, os 30 anos do disco foram celebrados com o relançamento em vinil pela Universal Music, o livro Fernanda Abreu — Da Lata 30 anos, editado pela Cobogó, o documentário dirigido por Paulo Severo e um remix inédito de "Garota Sangue Bom" pelas DJs From House to Disco.





