SLA Radical Dance Disco Club é o álbum com que Fernanda Abreu estreou em carreira solo em 1990, depois de quatro anos na Blitz. Gravado em janeiro e fevereiro daquele ano nos estúdios da EMI-Odeon, no Rio de Janeiro, o disco foi produzido por Fábio Fonseca com Herbert Vianna e apresentou ao público brasileiro uma combinação que ninguém estava fazendo naquele momento: disco music, dance-pop, soul e sample em faixas cantadas em português.
A Noite e a aposta em um som inédito
O primeiro single, "A Noite", chegou às rádios em fevereiro de 1990 e misturava referências de "D.I.S.C.O", do grupo Ottawan, e "Lady Marmalade", do Labelle, em uma faixa sobre sair de casa e dançar. A gravadora duvidava que existisse mercado para aquilo, em um país onde o rock dominava. Fernanda insistiu: "não tinha, mas vamos inaugurar". O disco saiu em março e provou que havia público: foram 260 mil cópias vendidas.
As três letras do título são as iniciais de Sampaio de Lacerda Abreu, o sobrenome completo da artista, e o "radical dance disco club" era um manifesto: um clube de dança com o nome dela, em um mercado em que o DJ ainda era figura secundária.
As faixas e os samples
O repertório equilibra composições próprias e releituras que ajudaram a apresentar a cultura do sample ao público brasileiro. "Você pra Mim", um dos maiores sucessos da carreira, usa trechos de "Just the Way You Are", de Barry White; "Luxo Pesado" é uma versão em português e inglês de "Got to Be Real", de Cheryl Lynn; e "Kung Fu Fighting", de Carl Douglas, ganhou roupagem dançante.
- A Noite — single de estreia, na trilha sonora da novela Mico Preto;
- Você pra Mim — segunda faixa da cantora a alcançar o primeiro lugar nas rádios;
- SLA Radical Dance Disco Club — faixa-título sobre uma menina que entra pela primeira vez em uma pista;
- Speed Racer — quarto single, lançado em 1991;
- Kamikazes do Amor — quinto e último single do álbum.
Um marco na discografia brasileira
Antes de SLA Radical Dance Disco Club, a música pop dançante feita no Brasil era tratada como produto menor e o sample explícito era raridade na discografia nacional. O álbum mostrou que era possível dialogar com Madonna, Prince e o soul americano sem abandonar o português e a cidade do Rio de Janeiro, e abriu caminho para a geração que passaria a produzir pop eletrônico no país. O disco também consolidou a parceria visual com Luiz Stein, responsável pela identidade gráfica de capas, clipes e shows da cantora por décadas.
Onde ouvir SLA Radical Dance Disco Club
O álbum está disponível nas plataformas de streaming, incluindo Apple Music, Spotify, Deezer e Amazon Music. Em 2020, os 30 anos do disco foram celebrados com um relançamento em vinil e com o álbum de remixes 30 Anos de Baile, em que DJs e produtores brasileiros revisitam as faixas daquele período de estreia.





