Publicado pela Editora Record em 1990, o Dicionarinho do Palavrão & Correlatos é uma obra de referência que parte de uma constatação simples: o vocabulário vulgar não cabe nos dicionários bilíngues tradicionais, embora seja parte integrante da conversação. Glauco Mattoso organizou mais de 4 mil palavras e expressões para cobrir esse território.
O que o dicionário traz
A obra reúne sinônimos para os termos mais populares, equivalentes eruditos e científicos, xingamentos, impropérios, gírias, provérbios e locuções. O resultado não é apenas uma lista de palavrões: é um retrato da língua falada, com as camadas cultas e populares que se cruzam quando alguém quer ofender, provocar ou traduzir.
Por que ele continua útil
- Ajuda tradutores, roteiristas e jornalistas a encontrar equivalentes de registro, não apenas sinônimos literais.
- Registra usos que envelhecem e mudam, funcionando como documento de época.
- Mostra a erudição do autor, que trata o assunto com erudição e humor em vez de escândalo.
Quem aproveita melhor
Estudantes de letras, profissionais de texto, pesquisadores de linguagem e leitores curiosos sobre a história do português coloquial encontram no volume uma consulta diferente da oferecida pelos dicionários escolares. Como o autor avisa no título, trata-se de um dicionário “pequeno” no formato, mas amplo na ambição: cobre um campo do vocabulário que costuma ficar de fora das obras de referência.
Como o volume está organizado
São 322 páginas de verbetes que não se limitam à tradução de termos: cada entrada pode trazer sinônimos, variações de registro e equivalentes cultos, permitindo ao leitor escolher a palavra certa conforme a situação. A obra parte da linguagem falada e a organiza com critério de pesquisa, sem perder o humor.
Uma obra bilíngue
O título completo indica a ambição do projeto: além do repertório em português, o volume foi pensado como complemento aos dicionários bilíngues tradicionais, com equivalentes entre inglês e português. Isso o torna útil para quem traduz, legenda, dubla ou simplesmente quer entender expressões que os dicionários escolares deixam de fora por pudor.
Um retrato de época
Como toda obra de referência sobre gírias, o Dicionarinho registra usos que envelhecem. Isso o torna duplamente útil: serve para consulta e funciona como documento de um momento da língua portuguesa falada no Brasil, com as marcas sociais e regionais que os dicionários escolares costumam filtrar. O livro integra a bibliografia de Glauco Mattoso como uma de suas obras mais citadas e menos parecidas com o restante da produção poética, o que ajuda a explicar a variedade de frentes do autor.





