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Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

Livro
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Obra máxima de Antônio Houaiss, lançada em 2001 pela Objetiva, com mais de 228 mil verbetes da língua portuguesa.

Quem pede “o Houaiss” quase nunca quer uma biografia. Quer um dicionário capaz de aguentar consulta profissional: etimologia, datação, acepções, locuções e o português além da fronteira brasileira. O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa nasceu exatamente dessa exigência, e só chegou às livrarias depois da morte de quem o concebeu.

Antônio Houaiss começou o projeto em 1986, na Academia Brasileira de Letras, com a meta explícita de cobrir mais língua do que o Aurélio, então o dicionário de cabeceira do país. O trabalho parou por falta de recursos entre 1992 e 1997. A retomada veio com o Instituto Antônio Houaiss de Lexicografia, fundado no Rio em 1997 com Francisco Manoel de Mello Franco e Mauro de Salles Villar. Houaiss morreu em março de 1999. A equipe fechou os verbetes em dezembro de 2000. A Objetiva publicou o volume em 2001.

O que o Houaiss entrega que outros dicionários não entregavam

A primeira edição impressa tinha cerca de 228 mil entradas, mais de 380 mil definições, milhares de sinônimos e antônimos, num único tomo de aproximadamente 3 mil páginas. Não era só volume. O critério mudava o mapa da língua: em vez de tratar o português do Brasil como desvio anotado, o dicionário passou a marcar também lusitanismos e africanismos, e registrou vocabulário de Portugal, Açores, Madeira, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Macau.

Outra decisão técnica pesa até hoje para quem pesquisa palavra antiga. O Houaiss datou, sempre que possível, a primeira ocorrência conhecida do vocábulo e acompanhou a mudança de sentido ao longo do tempo. Não é um dicionário histórico no sentido acadêmico estrito, mas organiza o verbete com olho na história da acepção. Também reuniu conjugações, formantes gregos e latinos e um recorte enciclopédico — ciência, artes, nomes — que aproxima a consulta de uma enciclopédia compacta.

Para quem esse dicionário faz sentido

O volume impresso de 2001 interessa a quem quer a edição de referência original, anterior ao Acordo Ortográfico de 1990 em vigor no Brasil. É livro de mesa, não de mochila: formato grande, papel fino, peso de vários quilos. Editores, professores, tradutores, revisores e pesquisadores ainda procuram esse tomo porque a microestrutura do verbete — etimologia, data, uso, locução — continua mais densa do que a da maior parte dos concorrentes de prateleira.

Quem precisa de consulta corrente, no computador ou no celular, encontra a linha viva no Houaiss.online, mantido pelo instituto. A edição digital atualiza neologismos e acepções com frequência, o que o volume de 2001, por definição, não faz. São dois modos de acesso à mesma obra, não dois dicionários rivais.

  • Edição Objetiva de 2001, com mais de 228 mil verbetes.
  • Cobertura lusófona, não apenas brasileira.
  • Etimologia e datação como eixo do verbete.
  • Consulta contemporânea pelo Houaiss.online.
  • Equipe original de cerca de 150 especialistas de vários países de língua portuguesa.

Como escolher entre o volume e a consulta digital

Se a intenção é possuir o objeto-livro — a edição que consolidou o nome Houaiss no mercado editorial —, o caminho é o volume da Objetiva, ainda encontrado em sebos e em ofertas de usados. Se a intenção é resolver dúvida de grafia, sentido ou etimologia no dia a dia, a consulta digital do instituto é a ferramenta em circulação. Há ainda desdobramentos posteriores, como o dicionário de sinônimos e antônimos e versões escolares, que não substituem o grande dicionário.

Um limite honesto: a edição de 2001 não incorpora a ortografia do acordo em vigor. Quem escreve profissionalmente hoje precisa cruzar o Houaiss com a norma atual, ou usar a base digital já revisada. Outro limite é o próprio gênero: dicionário registra uso e memória da língua; não decide sozinho estilo, tom ou adequação a um texto específico.

Relação com Antônio Houaiss

O dicionário é o projeto ao qual ele dedicou o fim da vida, mas não é uma obra solitária. Houaiss deixou um manual editorial de cerca de cem páginas para orientar a conclusão. Mauro de Salles Villar, coautor e diretor do instituto, seguiu o método combinando lexicografia contemporânea com o acervo da língua portuguesa desde o século XVI. Sem essa continuidade, o sobrenome teria virado apenas lembrança de acadêmico. Com ela, Houaiss passou a nomear a consulta.

Para o leitor que chega pela biografia, o dicionário responde à pergunta prática: o que restou de concreto daquele filólogo além da tradução de Joyce e da passagem pelo ministério. Para o leitor que chega pelo verbete, a biografia explica o recorte lusófono. Os dois caminhos se encontram no mesmo volume.

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