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Ulisses (tradução de Antônio Houaiss)

Livro
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Tradução pioneira de Ulisses, de James Joyce, feita por Antônio Houaiss em 1966 e reeditada pela Civilização Brasileira.

Traduzir Ulisses não é o mesmo que verter um romance de enredo claro. O livro de James Joyce acompanha Leopold Bloom e Stephen Dedalus por Dublin, em 16 de junho de 1904, misturando estilos, paródias, fluxos de consciência e um português que, no original, já estica o inglês até o limite. Antônio Houaiss encarou essa tarefa em 1966, pela Civilização Brasileira, e entregou a primeira tradução integral da obra para o português do Brasil.

O contexto pesa. Houaiss estava afastado da diplomacia pela ditadura, recém-saído do Itamaraty, e fez o trabalho em menos de um ano. A velocidade virou história repetida entre editores, mas o que permanece na prateleira é outra coisa: uma tradução que inaugurou a leitura brasileira de Joyce e, décadas depois, ainda reaparece em edição revista, com o projeto gráfico original de Eugênio Hirsch.

O que esta edição oferece ao leitor

A reedição em circulação, lançada em 6 de dezembro de 2021 pela Civilização Brasileira, recupera a segunda edição revista por Houaiss, originalmente cuidada por Ênio Silveira. O texto foi estabelecido por Vitor Alevato do Amaral a partir dessa versão aprovada pelo tradutor. Além do romance, o volume traz introdução, cronologia e material de apoio pensado para o leitor atual, que chega a Joyce sem o mapa crítico dos anos 1960.

Não é uma adaptação. O português de Houaiss tenta acompanhar a densidade do original: neologismo, ritmo, humor e mudança de registro de um episódio a outro. Quem busca uma prosa “limpa” de romance oitocentista costuma tropeçar. Quem quer ver até onde o português aguenta o experimento de Joyce encontra aqui o primeiro grande teste brasileiro.

Para quem essa tradução serve — e para quem não serve

Serve a quem quer ler Ulisses na língua em que Houaiss pensava o vocabulário brasileiro, com as soluções de 1966 revistas por ele mesmo. Serve também a quem estuda tradução literária e precisa comparar, lado a lado, as versões posteriores de Bernardina da Silveira Pinheiro (2005) e Caetano Galindo. O próprio Galindo, tradutor posterior da obra, tratou a versão de Houaiss como feito fundador, não como peça superada.

Não serve como atalho. Joyce continua difícil em qualquer idioma. A tradução de Houaiss não simplifica episódios, não suaviza o monólogo de Molly Bloom e não transforma Dublin numa crônica linear. Quem quer primeiro contato mais brando com o autor irlandês costuma começar por Dublinenses ou por Retrato do artista quando jovem. Ulisses pede tempo, anotação e, em muitos casos, um guia de leitura ao lado.

  • Primeira tradução integral brasileira, publicada em 1966.
  • Texto da segunda edição revista por Houaiss, reestabelecido em 2021.
  • Projeto gráfico original de Eugênio Hirsch.
  • Edição Civilização Brasileira, ISBN 978-8520013885.
  • Caminho clássico para ler Joyce em português do Brasil.

Como essa tradução se relaciona com a biografia de Houaiss

A fama pública de Houaiss hoje gruda no dicionário. Ulisses mostra o outro ofício, anterior e mais arriscado: fazer o português brasileiro caber num livro que o próprio inglês mal continha. O filólogo que depois dataria verbetes já estava, em 1966, forçando o idioma a produzir equivalentes para jogos de palavra, registros populares e paródias de estilo.

Há um fio direto entre essa tradução e o dicionário póstumo. Nos dois casos, Houaiss trata a língua como estoque amplo, não como norma estreita. A diferença é o uso: em Joyce, o vocabulário explode em literatura; no dicionário, o mesmo apetite vira nomenclatura, datação e acepção. Quem lê os dois lados entende por que o nome dele pesa fora da prateleira de referência.

O que observar antes de comprar

Confira se o item é a edição da Civilização Brasileira com o crédito de tradução de Antônio Houaiss. Existem outras traduções brasileiras em circulação, e o nome do tradutor muda a experiência de leitura. A edição de 2021 traz 854 páginas no formato 15,5 × 22,5 cm e costuma incluir material paratextual — introdução, cronologia, guia — que ajuda a atravessar os 18 episódios.

Preço e estoque variam conforme a tiragem e o vendedor. O que não varia é a função do volume: é o Joyce de Houaiss, não um resumo, não uma edição escolar enxuta e não um dicionário disfarçado de romance. Para quem chega pela biografia do lexicógrafo, este é o livro que prova o alcance literário da mesma cabeça que, anos depois, organizaria o português em verbetes.

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