Foto ilustrativa do produtor Ricardo Kotscho

Projeto relacionado a:

Ricardo Kotscho
Imagem promocional do produto Do golpe ao Planalto

Do golpe ao Planalto

Ver página do projeto

Este link pode ser comercial e gerar comissão para o site, sem alterar o preço para o leitor. Compare informações, preço e disponibilidade antes de decidir.

Memórias de 2006 pela Companhia das Letras: quarenta anos de redação, das mordomias de Brasília ao Planalto, com posfácio sobre 2005.

Do golpe ao Planalto: uma vida de repórter é a memória de redação de Ricardo Kotscho, não o diário confidencial de um governo. A Companhia das Letras publicou o volume em 2006, com 368 páginas na ficha que a Folha usou ao notar a entrada do livro na lista de não ficção. O ISBN da edição é 9788535908695. Quem abre o livro atrás de um dossiê do Planalto encontra outra coisa: quarenta anos de rua, contados por quem fez a rua.

A própria orelha organiza o mapa. No Ceará, em 1967, a cobertura do desastre aéreo que matou Castello Branco. Em Brasília, em 1976, a série sobre mordomias de superfuncionários, a reportagem que o projetou ainda dentro do Estadão. Em 1984, a campanha das Diretas, percorrida pelo país. No meio desse arco, as greves do ABC, o encontro com Lula e as Caravanas da Cidadania. Kotscho foi assessor de imprensa em três das quatro campanhas presidenciais do então candidato e, entre 2003 e 2004, secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência.

Quando o livro foi escrito, e o que entrou depois

A escrita coube no ano seguinte à saída do cargo. A Folha registrou que ele levou de dezembro de 2004 a dezembro de 2005 para fechar o original. O plano, anunciado na época da exoneração, era contar quarenta anos de jornalismo, não fazer um livro de governo. O título de trabalho que ele mesmo enunciou em entrevista foi uma variação de “quarenta anos de estrada: do golpe ao Planalto”. A coincidência que ele apontava era simples: tinha começado a trabalhar em 1964.

O livro pronto ganhou um posfácio. A crise de 2005, com as denúncias de corrupção que atingiram o governo do amigo de décadas, aconteceu enquanto o original já estava encaminhado. Kotscho voltou ao texto para comentar esse trecho, em vez de fingir que a memória terminava na porta do Palácio em novembro de 2004. A sinopse de circulação descreve um relato que não foge dessa análise. Isso é diferente de transformar o volume em peça de acusação.

A diferença importa porque, em outubro de 2006, correu um e-mail falso. O Congresso em Foco reproduziu a mensagem: ela anunciava que o livro provaria a participação de Lula numa negociação tratada como semente do mensalão e convocava leitores a espalhar a “bomba”. O desmentido é parte da história do livro. Quem chega pelo boato precisa saber que a obra em circulação é memória profissional, com posfácio sobre a crise, editada pela Companhia das Letras, e não o panfleto que a corrente descrevia.

O que o leitor encontra, capítulo após capítulo de estrada

O miolo atravessa redações mais do que gabinetes. Estadão, Jornal do Brasil, IstoÉ, Folha, televisão e as assessorias de campanha aparecem como lugares de onde a notícia saiu, não como currículo. A edição traz ainda cronologia dos fatos do período e caderno de imagens. A ficha da New York Public Library descreve 334 páginas de texto mais 32 de pranchas. A contagem comercial brasileira da época falava em 368 páginas. As duas fichas cabem no mesmo objeto: texto, fotos e aparato.

O humor que a editora anuncia na apresentação não é enfeite. Kotscho usa a anedota de redação para mostrar como uma gafe presidencial pode ser escrita por quem não estava na sala. Um trecho muito citado, sobre um brinde inventado pela cobertura numa viagem a um país onde não se bebe álcool, serve exatamente para isso: separar o que o repórter viu do que a pauta já tinha decidido publicar. É um livro de método disfarçado de memória.

Para quem estuda jornalismo político, o ganho está nesse deslocamento. As Diretas, as caravanas e os dois anos de secretário entram porque explicam de onde ele olhava, não porque o livro seja um manual de comunicação de governo. Assessoria, aqui, é um capítulo da vida de repórter. O critério que ele repetiria décadas depois, de não brigar com o fato, já organiza estas páginas.

Para quem o livro serve, e onde ele não chega

O leitor certo é quem quer o Brasil de 1964 a 2005 visto de dentro das redações que Kotscho frequentou, com nome, data e lugar. Não é o melhor caminho para estudar um único episódio em profundidade. A campanha das Diretas, por exemplo, está contada com mais diário e menos retrospecção em Explode um novo Brasil, o livro de 1984. Serra Pelada tem volume próprio. A prática da reportagem, da Ática, é o oposto formal: um livro curto de ofício, sem a ambição autobiográfica.

Também não é biografia escrita por outro. Em 2024, Lira Neto publicou um perfil de Kotscho na série Memória do Jornalismo Brasileiro Contemporâneo. São projetos diferentes. Do golpe ao Planalto é a voz dele, em primeira pessoa, com os limites de quem escolhe o que contar da própria vida. Há afeto declarado por Lula e há o posfácio duro sobre 2005. Ler um e apagar o outro é ler pela metade.

A edição de 2006 segue sendo a referência de compra. A Companhia das Letras não a transformou numa coleção de formatos paralelos. Quem procura o objeto certo procura este título, com o subtítulo Uma vida de repórter, e não um box, um resumão ou a corrente de 2006.

Página vinculada ao projeto

Para consultar a página vinculada a este projeto, acesse Do golpe ao Planalto.


Experiências da comunidade

Avaliações sobre Do golpe ao Planalto

Veja as opiniões dos leitores e compartilhe sua experiência.

0 avaliações positivas e 0 negativas com comentário.

Relatos publicados

Opiniões dos leitores sobre suas experiências. As avaliações não comprovam fatos nem representam a posição do site.

Ainda não há avaliações com comentário. Sua experiência pode ajudar o próximo leitor.

Para contestar um relato ou solicitar a remoção dos seus dados, entre em contato e informe a página e o comentário.

Compartilhe sua avaliação

Escreva de 60 a 200 palavras sobre esta pessoa ou projeto. Não inclua anúncios, links, insultos ou dados pessoais.

Sua experiência

0 de 200 palavras · mínimo de 60

Carregando verificação humana...

Outros projetos do mesmo autor

Se você se interessou por Do golpe ao Planalto, talvez também queira conhecer outros projetos de Ricardo Kotscho.

Ver perfil completo
Explode um Novo Brasil
Explode um Novo Brasil
Diário das Diretas Já publicado em 1984 pela Brasiliense e reeditado pelo Senado em 2025, com as reportagens da Folha.
00%
00%