Doidas e Santas reúne crônicas em que Martha Medeiros escancara o intervalo entre o que se espera de uma mulher e o que ela realmente sente. Publicado em 2008, o volume entrou no núcleo duro da bibliografia da autora — a ponto de a Wikipédia listá-lo entre as obras-mestras e de o título ganhar vida própria no teatro e no cinema.
O nome do livro é programa: “santas” de aparência, “doidas” de desejo, cansaço e lucidez. A leitora que chega pelo título costuma buscar identificação; o leitor que chega pela fama da autora costuma encontrar uma escola de olhar sobre o cotidiano feminino urbano.
Tema e temperatura
Cem crônicas (na configuração clássica do volume) falam de corpo, idade, casamento, liberdade, culpa, prazer e a performance social de “estar bem”. Martha não moraliza. Ela observa e devolve a cena com humor e corte. O efeito é de espelho: dói um pouco, alivia um pouco, e raramente deixa indiferente.
A prosa mantém a marca de coluna de jornal — entrada rápida, desenvolvimento enxuto, fechamento memorável — com liberdade de quem já dominava o gênero há mais de uma década quando o livro saiu.
Público e uso de leitura
- Leitoras que buscam crônicas sobre vida adulta e identidade feminina.
- Clubes do livro e grupos de leitura que querem textos curtos e debate generoso.
- Quem conheceu a peça com Cissa Guimarães ou o filme de 2017 e quer a matriz literária.
- Presentes literários para quem já superou a fase do “livro só de frases soltas” e quer contexto.
Do livro ao palco e à tela
Em 2013, Doidas e Santas ganhou adaptação teatral produzida e interpretada por Cissa Guimarães, ampliando o alcance das crônicas para plateias que nem sempre entram pela livraria. Em 2017, a obra chegou aos cinemas, reforçando o status de título-símbolo da autora no imaginário popular.
Essas travessias de mídia não esvaziam o livro: elas confirmam que os textos sustentam performance, montagem e reinterpretação — algo raro para coletânea de crônicas.
Lugar na carreira
Entre Divã (2002) e Feliz por Nada (2011), Doidas e Santas consolida Martha como cronista de massa crítica e de massa de leitores. É leitura central para quem quer entender o tom que a tornou “uma das cronistas mais lidas do país”, sem passar só pelo romance que virou filme.
Edições e compra
Há edições tradicionais, pocket e digitais pela L&PM. Prefira a edição completa em crônicas, não antologias temáticas paralelas, se a ideia for conhecer o livro como ele se firmou no mercado. O link de compra leva à edição em português disponível na Amazon; confira a capa e a descrição do volume para evitar caixas e compilações diferentes.
Leitura crítica sem jargão
O livro não pede teoria feminista para funcionar, mas dialoga com discussões sobre papéis de gênero de forma popular e afiada. Martha descreve pressões sociais sem transformar a crônica em panfleto. Essa legibilidade ampla explica tanto o sucesso de livraria quanto a facilidade de adaptação cênica: as cenas já nascem performáticas.
Vale ler com lápis na mão se a ideia for grifar frases — e vale reler anos depois, porque várias crônicas mudam de temperatura conforme a fase da vida de quem lê.




