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Foto de perfil de Martha Medeiros

Martha Medeiros

Martha Mattos Medeiros

Nascimento: 1961 Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Escritora e cronista gaúcha, colunista de O Globo e Zero Hora, autora de Divã, Doidas e Santas e Feliz por Nada.

Há crônicas que parecem conversa de mesa e, no dia seguinte, ainda ecoam no ônibus, no espelho do banheiro, na fila do mercado. Martha Medeiros escreve exatamente nesse território: o cotidiano urbano com precisão de quem observa e coragem de quem não embala a vida em eufemismo. Nascida em Porto Alegre em 1961, ela virou referência nacional de crônica e de literatura acessível sem ser rasa — com mais de trinta livros e marca de mais de um milhão de exemplares vendidos.

Quem a procura quer saber quem é por trás de Divã, de Feliz por Nada e da coluna semanal que atravessa décadas. O perfil abaixo junta trajetória, método de escrita, jornais, adaptações e obras que moldaram a presença pública da autora.

De Porto Alegre à publicidade e à primeira poesia

Martha Mattos Medeiros formou-se em Comunicação Social na PUCRS em 1982. Passou cerca de catorze anos como redatora publicitária, enquanto a poesia ocupava o intervalo entre campanhas e prazos. A estreia literária veio em 1985 com Strip-Tease, na coleção Cantadas Literárias da Editora Brasiliense — a mesma vitrine que abrigou nomes como Paulo Leminski e Caio Fernando Abreu.

Os livros seguintes de poesia, como Meia Noite e Um Quarto (com apresentação de Caio Fernando Abreu) e Persona Non Grata (com orelha e acolhida de Millôr Fernandes), consolidaram a parceria com a L&PM Editores. A publicidade ensinou concisão; a poesia ensinou ritmo. Os dois legados reaparecem nas crônicas posteriores: frase curta, imagem nítida, desfecho que corta.

O Chile, o Zero Hora e a virada para a crônica

Em 1993, uma temporada de meses em Santiago do Chile interrompeu a rotina publicitária. Longe da redação de agência, Martha escreveu textos que o jornalista Fernando Eichenberg leu como crônicas publicáveis. De volta a Porto Alegre, em 1994, começou a assinar no Zero Hora — e nunca saiu do jornal. Em 2004, somou a coluna semanal no O Globo.

A primeira coletânea de crônicas, Geração Bivolt (1995), abriu o gênero em livro. Topless (1997) levou o Prêmio Açorianos de Literatura em crônicas. A partir daí, a cronista gaúcha passou a ser lida em escala nacional: casamento, envelhecimento, amizade, cidade, desejo, tempo e a vida ordinária tratada com humor seco e empatia sem pieguice.

Divã e a projeção nacional

O romance Divã (2002) projetou Martha Medeiros para um público que talvez não tivesse chegado pelas crônicas de jornal. Mercedes, mulher de meia-idade em terapia, virou personagem de teatro com Lilia Cabral, filme em 2009 (cerca de 1,5 milhão de espectadores) e minissérie na Rede Globo em 2011. A obra também circulou em França, Suíça, Portugal, Itália e Espanha.

Outros romances e ficções acompanharam a curva: Selma e Sinatra, Tudo Que Eu Queria Te Dizer (estrutura epistolar, depois no teatro com Ana Beatriz Nogueira), Fora de Mim e, mais à frente, A Claridade Lá Fora. Mesmo na ficção, o olhar da cronista permanece — relações, silêncios e a cidade como personagem lateral.

Crônicas best-sellers e o método Martha

Coleções como Doidas e Santas, Feliz por Nada, Montanha-Russa, Coisas da Vida, A Graça da Coisa e Simples Assim alimentaram o hábito de ler Martha em livraria, ônibus e redes. Feliz por Nada permaneceu longos períodos entre os mais vendidos e acumulou dezenas de reedições. Montanha-Russa ficou em segundo lugar no Prêmio Jabuti de contos e crônicas e somou outro Açorianos.

O método é reconhecível: observar o detalhe miúdo, recusar o discurso inflado, falar de mulher e de vida adulta sem manual de autoajuda. Em 2008, um trecho da crônica A Morte Devagar (do livro Non-Stop) foi citado no Parlamento italiano e atribuído erroneamente a Pablo Neruda — episódio que só reforçou a circulação dos textos além do nome impresso na capa.

  • Jornais de referência: coluna semanal no Zero Hora e no O Globo.
  • Gêneros: crônica, romance, poesia, relato de viagem e infantil (Esquisita Como Eu).
  • Editora-base: longa parceria com a L&PM, com títulos também na Objetiva e outras casas.
  • Prêmios públicos: Açorianos (1998, 2004 e 2018) e semifinalista do Jabuti 2025 com Comigo na Livraria.
  • Adaptações: teatro, cinema e TV a partir de livros como Divã, Doidas e Santas, Trem-Bala e Feliz por Nada.

Viagens, teatro e presença contemporânea

A série Um Lugar na Janela transforma deslocamento em crônica de viagem — do diário ao mapa afetivo. O segundo volume venceu o Açorianos em 2018. No palco e na tela, textos de Martha viraram espetáculos com Cissa Guimarães, peças de Fora de Mim e montagens inspiradas em coletâneas de crônicas.

Nos anos recentes, títulos como Quem Diria Que Viver Ia Dar Nisso, Conversa na Sala e Comigo na Livraria mantêm a autora no circuito de lançamentos e feiras. Em redes, o perfil oficial de Instagram acompanha bastidores leves e a rotina de quem ainda publica coluna — sem substituir o livro impresso nem o jornal.

Por que Martha Medeiros continua sendo buscada

Porque ela nomeia o que muita gente sente e não arruma em frase. Porque a literatura de crônica, no Brasil, precisa de vozes com coluna fixa e livraria cheia. Porque Divã virou cultura pop sem abandonar o tom íntimo. E porque a leitora ou o leitor que chega pelo trecho viral na internet encontra, atrás dele, uma obra longa, premiada e ainda em movimento.

Se a intenção é conhecer a pessoa, este perfil fecha o arco: publicitária que virou poeta, poeta que virou cronista, cronista que virou romancista e presença fixa na imprensa. Se a intenção é escolher por onde começar a ler, os projetos abaixo destacam as obras que melhor explicam o alcance de Martha Medeiros.

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Projetos de Martha Medeiros

Divã
Divã
Romance de Martha Medeiros sobre Mercedes, mulher em terapia que reavalia casamento, desejo e reinvenção adulta.
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Feliz por Nada
Feliz por Nada
Coletânea de crônicas de Martha Medeiros sobre a felicidade no cotidiano, com enorme sucesso de livraria.
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Doidas e Santas
Doidas e Santas
Coletânea emblemática de crônicas de Martha Medeiros sobre o cotidiano feminino, adaptada para teatro e cinema.
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Comigo na Livraria
Comigo na Livraria
Crônicas de 2024 sobre o hábito de ler e a livraria como espaço afetivo; semifinalista do Jabuti 2025.
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