Capitu: memórias póstumas parte de uma das perguntas mais duradouras da literatura brasileira: o que realmente aconteceu entre Capitu, Bentinho e Escobar? Em vez de julgar a personagem, o romance de Domício Proença Filho reconstrói os acontecimentos pelo ponto de vista dela. Publicado em 1998, o livro transforma a dúvida que atravessa gerações de leitores de Dom Casmurro em matéria de ficção.
Uma releitura que dá voz à personagem
Machado de Assis deixou a questão em aberto e confiou a narrativa a Bentinho. Neste romance, quem conta a história é Capitu, o que muda o foco do julgamento para a experiência de quem foi acusada. O texto dialoga diretamente com o clássico, sem tentar funcionar como ensaio ou tese: é ficção que assume o risco de imaginar memórias que Machado não escreveu.
Trajetória do livro
A obra nasceu da relação longa do autor com a obra machadiana. Domício Proença Filho organizou antologias de contos de Machado, assinou estudos sobre o conto e o romance do escritor e participou de seminários sobre ele no Brasil e no exterior. Capitu: memórias póstumas ganhou tradução italiana em 2006, foi apresentada na Feira do Livro de Turim e rendeu mesas na Sorbonne e no Salão do Livro de Paris em 2017. Uma nova edição em português chegou ao público em 2025.
Para quem é a leitura
O livro interessa a leitores de Machado de Assis que querem ver a personagem por outro ângulo, a estudantes que pesquisam intertextualidade e a quem aprecia ficção brasileira construída sobre a tradição literária. Funciona melhor para quem já leu Dom Casmurro ou conhece a história, porque o prazer da leitura está justamente no diálogo entre as duas obras.





