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Domício Proença Filho

Nascimento: 1936 Rio de Janeiro, RJ
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Professor emérito da UFF, ensaísta, poeta e ficcionista, Domício Proença Filho ocupa a cadeira 28 da Academia Brasileira de Letras, que presidiu em 2016 e 2017.

Domício Proença Filho é professor emérito da Universidade Federal Fluminense, ensaísta, poeta e ficcionista, e ocupa a cadeira 28 da Academia Brasileira de Letras desde 2006. Presidiu a ABL em 2016 e 2017. Nascido na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, em 25 de janeiro de 1936, fez o curso primário na Escola Joaquim Manuel de Macedo e estudou no Colégio Pedro II, em regime de internato, antes de se formar em Letras Neolatinas pela antiga Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, em 1957.

Quem chega ao seu nome costuma buscar uma destas frentes: o professor que lecionou literatura brasileira por 38 anos, o estudioso de Machado de Assis ou o autor de manuais e guias que explicam literatura e língua portuguesa. Ele circula pelas três. A obra reúne 68 livros entre didáticos, ensaios, poesia e ficção, além de antologias que organizou e prefácios que assinou para clássicos da literatura nacional.

De Paquetá ao magistério: formação e carreira

Paquetá não é detalhe pitoresco na biografia: foi ali que ele viveu a infância e a adolescência, e a ilha aparece com frequência nas notas sobre sua formação. A carreira docente começou nos anos 1950 e ganhou corpo no Rio de Janeiro. Ele deu aulas de Português e Espanhol no Colégio Pedro II entre 1957 e 1971 e passou por instituições como a Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e a Faculdade Santa Úrsula.

O vínculo mais duradouro foi com a Universidade Federal Fluminense. Domício Proença Filho foi professor titular de Literatura Brasileira na UFF de 1971 a 1992, retornou como titular convidado entre 1994 e 1996 e recebeu o título de Professor Emérito em 2002, depois de 38 anos de trabalho docente na graduação e na pós-graduação. Na universidade, chefiou o Departamento de Literatura, coordenou a área de Literatura Brasileira do mestrado e integrou comissões de reforma acadêmica.

No exterior, foi professor titular convidado em Colônia, na Alemanha, em 1972; na RWTH Aachen, em 1986; e na Universidade de Tübingen, em 2001. Também participou de seminários e conferências em Lisboa, Coimbra, Porto, Madri, Salamanca, Roma, Bolonha, Paris e Minnesota.

Os livros que explicam sua presença nas salas de aula

A produção didática é a porta de entrada mais comum para o nome dele. Estilos de época na literatura, publicado originalmente nos anos 1960 e reeditado diversas vezes, percorre os movimentos literários por meio de textos comentados e se consolidou como obra de referência para estudantes e professores. A linguagem literária discute o que distingue o texto literário de outros usos do idioma, e Nova ortografia da língua portuguesa virou guia prático para aplicar o Acordo Ortográfico de 1990.

Entre os títulos mais conhecidos estão:

  • Estilos de época na literatura — manual sobre períodos literários a partir de textos comentados;
  • A linguagem literária — estudo sobre a especificidade da linguagem na literatura;
  • Muitas línguas, uma língua — ensaio de 2017 sobre a formação do português brasileiro;
  • Capitu: memórias póstumas — romance que dá voz à personagem de Machado de Assis;
  • Nova ortografia da língua portuguesa — guia sobre as regras em vigor desde 2009.

Machado de Assis, Capitu e o trabalho com a ficção

Machado de Assis é o autor que mais atravessa a trajetória de Domício Proença Filho. Ele organizou antologias de contos machadianos, assinou estudos sobre o conto e o romance do escritor e representou a Academia Brasileira de Letras em seminários sobre Machado na Espanha, em Portugal, na Itália e na França. Para conhecer o autor homenageado por esse trabalho, vale consultar o perfil de Machado de Assis.

Dessa relação nasceu um dos seus livros mais discutidos. Em Capitu: memórias póstumas, romance publicado em 1998, ele retoma a personagem de Dom Casmurro e reconstrói os acontecimentos sob o ponto de vista dela. A obra ganhou tradução italiana em 2006, foi apresentada na Feira do Livro de Turim e rendeu mesas na Sorbonne e no Salão do Livro de Paris em 2017. Uma nova edição em português foi lançada em 2025.

Língua portuguesa, acordo ortográfico e atuação institucional

O idioma é outro eixo central. Domício escreveu artigos na ABL sobre o Acordo Ortográfico, assinado em 1990 e promulgado no Brasil em 2008, e publicou guias para quem precisava aplicar as mudanças no cotidiano. A formação histórica do português brasileiro, com suas raízes indígenas, africanas e europeias, aparece em ensaios e conferências, entre eles o estudo sobre a trajetória do negro na literatura brasileira, divulgado na revista Estudos Avançados, da USP, em 2004.

Na vida institucional, foi secretário-geral do Conselho Estadual de Cultura da Guanabara, subsecretário de Educação e Cultura da cidade do Rio de Janeiro entre 1979 e 1981 e criador da Bienal Nestlé de Literatura Brasileira, cuja primeira edição coordenou em 1982. Na ABL, coordenou o projeto Espaço Machado de Assis e representou a Academia nas comemorações do Dia da Língua Portuguesa na ONU, em 2016.

Eleito e presidente da Academia Brasileira de Letras

A entrada na ABL aconteceu em 23 de março de 2006, quando foi eleito para a cadeira 28 na sucessão de Oscar Dias Corrêa. Foi recebido em 28 de julho do mesmo ano por Evanildo Bechara, com quem já havia colaborado em projetos sobre língua portuguesa. Antes da presidência, foi segundo secretário (2006-2007), primeiro secretário (2010-2013) e secretário-geral (2014-2015). Em 2016 e 2017, presidiu a instituição.

A trajetória também rendeu reconhecimentos como o Troféu Raça Negra pelo conjunto da obra, em 2006 e 2016, a Medalha Machado de Assis (2001), a Medalha Pedro Ernesto, o título de Cidadão Honorário de Minas Gerais (2010) e o doutorado honoris causa da Universidade Clermont-Auvergne, na França (2018). Ele integra ainda a Academia Brasileira de Filologia, a Academia das Ciências de Lisboa e o PEN Clube do Brasil.

Como a obra se conecta a outros nomes da Academia

O trânsito pela ABL aproximou Domício de colegas de diferentes gerações. Com Nélida Piñon, por exemplo, inaugurou em 2017 a exposição Patronos e Fundadores, que celebrou os 120 anos da Academia. Quem quiser continuar navegando por autores e obras do mesmo campo pode começar pela página de literatura, que reúne perfis relacionados.

Perguntas frequentes sobre Domício Proença Filho

Quem é Domício Proença Filho?

É professor emérito da Universidade Federal Fluminense, crítico, ensaísta, poeta e ficcionista. Ocupa a cadeira 28 da Academia Brasileira de Letras desde 2006, presidiu a instituição em 2016 e 2017 e publicou 68 livros.

Qual é o livro mais conhecido de Domício Proença Filho?

Depende do público. No ensino, Estilos de época na literatura é o título mais associado ao nome dele. Na ficção, o destaque é Capitu: memórias póstumas, romance de 1998 que revisita a personagem de Machado de Assis.

Ele pertence à Academia Brasileira de Letras?

Sim. Foi eleito em 2006 para a cadeira 28 e presidiu a ABL nos exercícios de 2016 e 2017.

O que Domício Proença Filho escreveu sobre Machado de Assis?

Organizou antologias de contos, publicou estudos sobre a obra machadiana e escreveu o romance Capitu: memórias póstumas, traduzido para o italiano.

Entre a sala de aula, a pesquisa e a gestão cultural, Domício Proença Filho representa uma linhagem de intelectuais que trataram a língua portuguesa como patrimônio coletivo. Seus manuais seguem em circulação, seus guias de ortografia continuam consultados e sua ficção mantém aberto o diálogo com Machado de Assis.

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