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Elogio da Superficialidade: o Universo das Imagens Técnicas

Tecnologia Educação Livro
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Continuação da filosofia da fotografia: Vilém Flusser leva a imagem técnica da câmera para o ambiente das telas e do cálculo.

Elogio da Superficialidade é o nome brasileiro de Ins Universum der technischen Bilder, o livro de 1985 em que Flusser leva a tese da fotografia para o ambiente das telas. A edição da É Realizações — o Universo das Imagens Técnicas no subtítulo — é o volume de quem já leu a caixa preta e quer saber o que acontece quando a imagem deixa o negativo e vira cálculo.

A “superficialidade” do título não é elogio da bobeira. É elogio da superfície: a imagem técnica não esconde uma profundidade romântica atrás da tela; ela opera na pele do visível, em pontos, pixels, linhas de programa. Quem busca profundidade onde só há código lê mal o objeto. Flusser inverte o insulto e transforma a superfície em problema filosófico.

O que muda em relação à Caixa Preta

Na fotografia, o aparelho ainda se parece com uma caixa que se segura. No universo das imagens técnicas, o aparelho se espalha: televisão, computador, rede de imagens que se calculam umas às outras. A ruptura da escrita linear se completa. Não se trata mais só do clique. Trata-se de viver num ambiente em que a imaginação técnica compete com a linha do texto — o tema que ele retoma em A escrita.

O leitor de comunicação e de artes visuais encontra aqui o Flusser da pós-história: o tempo em que a sociedade industrial da linha (fábrica, livro, progresso) cede lugar à sociedade dos aparelhos que geram, combinam e descartam imagens. A ameaça e a chance são a mesma: ou se vira funcionário do programa, ou se aprende a jogar contra as casas previsíveis.

  • Quem leu Filosofia da Caixa Preta e quer a continuação, não o resumo.
  • Quem estuda mídia, cinema, artes visuais ou cultura digital e precisa de um conceito de imagem que não se esgota em “representação”.
  • Quem desconfia do discurso de que a tela “aproxima” e quer um vocabulário mais seco.

Como usar o livro

Não é história da arte digital. Não nomeia plataformas. Flusser morreu em 1991; o que ele descreve é a lógica do cálculo, não o produto de uma empresa. Por isso o texto envelhece pouco: o aparelho mudou de tamanho, o programa não mudou de espécie. A imagem gerada por modelo, o filtro, o arquivo infinito do celular são casos da mesma família que ele chamou de universo técnico.

A edição da É Realizações dialoga visualmente com a da Caixa Preta — o nome de Flusser repetido em coluna, o laranja do título. São volumes irmãos, não clones. Um trata do clique. O outro, do ambiente. Ler os dois em sequência é o percurso mais honesto para quem quer o Flusser da imagem sem parar no slogan da caixa preta.

Se a expectativa for um tratado sistemático, o livro vai parecer ensaio solto. Se a expectativa for um deslocamento de vocabulário — da profundidade da obra única para a superfície programada —, ele cumpre o título à letra.

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Fenomenologia do gesto em Vilém Flusser: o movimento em que se articula uma liberdade. Edição brasileira da Annablume.
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