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Era o Hotel Cambridge

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Longa híbrido de ficção e documentário em que Eliane Caffé filmou dentro de uma ocupação de refugiados e sem-teto no centro de São Paulo, premiado em San Sebastián.

Contexto e proposta de Era o Hotel Cambridge

Era o Hotel Cambridge é o longa híbrido de ficção e documentário em que Eliane Caffé filmou dentro de uma ocupação real no centro de São Paulo. O edifício Cambridge, na região da Luz, abrigava refugiados recém-chegados ao Brasil e trabalhadores sem-teto ligados à Frente de Luta pela Moradia. No filme, moradores e atores profissionais — como José Dumont, Carmen Silva e Suely Franco — contracenam em situações que misturam dramas cotidianos, momentos cômicos e a ameaça permanente do despejo, enquanto as janelas digitais conectam os refugiados aos países que deixaram.

A preparação durou dois anos e envolveu um coletivo formado pela equipe de produção, lideranças da ocupação, os próprios moradores e um núcleo de estudantes da Escola da Cidade, faculdade de arquitetura e urbanismo. Oficinas de dramaturgia, cenário, figurino e mobiliário realizadas dentro do prédio viraram matéria-prima do roteiro, escrito por Eliane Caffé com Luís Alberto de Abreu e Inês Figueiró. A estratégia garantiu ao filme uma autenticidade que a crítica destacou à época: as vozes da ocupação entram na narrativa como sujeitos, não como figurantes.

O reconhecimento veio em uma sequência longa de festivais. O filme recebeu menção honrosa no Festival de San Sebastián, na Espanha, na seção Horizontes Latinos; venceu o voto popular na 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e no Festival do Rio, onde também levou o prêmio da crítica e o de melhor montagem. No Fest Aruanda, foi eleito melhor longa pelo júri oficial e pelo júri da Abraccine, com melhor atriz para Suely Franco. Já no Festival Internacional de Cinema da Fronteira, em Bagé, foram melhor filme e melhor atuação, com Carmen Silva.

Lançado nos cinemas em 2017, Era o Hotel Cambridge segue disponível para streaming, aluguel e compra em plataformas brasileiras como Prime Video, Looke, Belas Artes à La Carte e Apple TV. É uma peça central para entender o cinema que Eliane Caffé desenvolve desde Narradores de Javé, na fronteira entre a ficção e a vida real dos lugares onde filma.

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