Contexto e proposta de Narradores de Javé
Narradores de Javé consolidou a trajetória de Eliane Caffé no circuito de festivais ao contar uma história que mistura comédia, drama e discussão cultural: os moradores de um vilarejo do sertão baiano descobrem que a cidade será inundada pelas águas de uma hidrelétrica e decidem escrever a "grande história" do lugar como forma de provar o valor do povoado para impedir a tragédia. Como quase ninguém sabe ler, a tarefa recai sobre Antônio Biá, papel de José Dumont, o único morador com domínio da escrita.
O roteiro, escrito por Eliane Caffé com Luís Alberto de Abreu, saiu do trabalho de campo da diretora com contadores de histórias da Bahia e Minas Gerais. Rodado em Gameleira da Lapa com moradores da região, o filme combina atores profissionais como Matheus Nachtergaele, Luci Pereira e Nelson Xavier com a comunidade local. O personagem de José Dumont foi livremente inspirado no memorialista mineiro Pedro Cordeiro Braga, morador do povoado do Vau, em Diamantina.
Depois de ser exibido em Cannes, em 2003, e estrear nos cinemas brasileiros em janeiro de 2004, o longa venceu o Festival do Rio pelo júri oficial e pelo voto popular, dominou a premiação do Cine PE e somou reconhecimentos internacionais: melhor filme e melhor roteiro no Festival Internacional do Filme Independente de Bruxelas, prêmio FIPRESCI no Festival de Friburgo e o Mano de Ouro em Punta del Este. O roteiro ainda levou o Prêmio APCA de 2005.
Narradores de Javé é uma escolha certa para quem quer conhecer o cinema de Eliane Caffé e a veia narrativa do cinema brasileiro da retomada: o filme faz rir, discute memória e patrimônio histórico e termina em aberto, longe de moral fácil. O DVD do filme circula em lojas online brasileiras, incluindo a Amazon, e as exibições em mostras e cineclubes continuam frequentes.




