Contexto e proposta de Feijão Angu e Couve
Feijão, angu e couve: ensaio sobre a comida dos mineiros é o livro que transformou Eduardo Frieiro em referência da gastronomia brasileira. Publicado em 1966, o volume trata a comida como documento histórico: o que se plantava, o que se cozinhava e o que se punha à mesa dizem respeito à formação de Minas e à vida material de sua população.
A proposta não é de livro de receitas. O autor escreve como ensaísta e pesquisador, interessado nas origens dos pratos, nas influências indígenas, africanas e portuguesas e nas permanências de uma cozinha rural que atravessou séculos. O livro ajudou a firmar a ideia de que a culinária mineira tem história própria, com raízes na fazenda, no fogão a lenha e na economia do interior.
É leitura útil para quem pesquisa a história da alimentação no Brasil, para cozinheiros que querem entender o repertório que manuseiam e para leitores de ensaio em geral. O texto tem a prosa enxuta de Frieiro, que combina erudição e desconfiança de modismos. Quem procura a origem documentada de pratos e hábitos encontra aqui a primeira obra a tratar o tema com essa profundidade.
A obra ganhou novo peso institucional quando o estado de Minas Gerais instituiu o Dia da Gastronomia Mineira em 5 de julho, data de nascimento do autor. A edição em circulação mantém o texto do ensaio e continua sendo a porta de entrada mais conhecida para a obra de Frieiro.





