Contexto e proposta de O Diabo na Livraria do Cônego
O diabo na livraria do cônego parte de um episódio concreto da história mineira: a biblioteca do Cônego Luís Vieira da Silva, um dos implicados na Inconfidência Mineira de 1789, foi apreendida pelas autoridades da Devassa. Quase mil livros passaram pelas mãos dos inquisidores, e é esse acervo que Eduardo Frieiro examina.
A pergunta que move o ensaio é simples e poderosa: o que se lia na Minas do século 18? A resposta revela uma biblioteca variada e bem escolhida, com títulos de filosofia, história, literatura e ciência que circulavam longe dos olhos da Coroa. Frieiro mostra como os livros eram vistos como ameaça e como o imaginário do "diabo" servia para nomear ideias que punham em risco o controle colonial.
Publicado em 1945 e ampliado em edições posteriores com outros estudos mineiros, o livro está entre os trabalhos mais citados do autor e é leitura de referência para quem estuda o período colonial, a Inconfidência e a história do livro no Brasil. A escrita combina rigor documental e ensaio livre, sem tom acadêmico pesado.
Para quem quer conhecer a faceta de historiador da cultura de Frieiro, este é o título mais direto. A edição disponível em livro impresso mantém o texto principal e permite acompanhar de perto o método de um autodidata que tratava fontes primárias com cuidado de arquivista.





