Contexto e proposta de Fim de Festa
Fim de Festa é o segundo longa-metragem de ficção de Hilton Lacerda, exibido pela primeira vez no Festival do Rio em dezembro de 2019 e lançado nos cinemas em 5 de março de 2020. O filme começa quando uma jovem francesa é assassinada no Recife depois do carnaval. O policial Breno, interpretado por Irandhir Santos, volta mais cedo das férias para investigar o crime e encontra a casa ocupada pelo filho e por três amigos.
A trama se desenrola em uma cidade que parece tentar voltar ao normal depois da festa. O carnaval funciona como ponto de virada: a violência que estava escondida vem à superfície, e a investigação de Breno se mistura com memórias pessoais e com o passado da própria família. O roteiro de Hilton constrói o suspense a partir desse descompasso entre a euforia coletiva e a intimidade fraturada.
O elenco reúne Irandhir Santos, Gustavo Patriota, Amanda Beça, Leandro Villa, Safira Moreira e Hermila Guedes. A produção é de Nara Aragão, Juliana Soares e João Vieira Jr., com fotografia de Ivo Lopes Araújo, montagem de Pedro Queiroz e Mair Tavares e trilha sonora de DJ Dolores. O filme tem 94 minutos e foi produzido por Carnaval Filmes e REC Filmes.
Fim de Festa venceu o Troféu Redentor no Festival do Rio de 2019. A crítica se dividiu: parte dos textos apontou fragilidades no suspense policial, enquanto outros destacaram a atuação de Irandhir Santos como um dos pontos altos. Em 2021, Irandhir e Hermila Guedes foram indicados ao Grande Otelo, e DJ Dolores recebeu indicação por sua trilha sonora.
Ao contrário de Tatuagem, que olha para o passado da ditadura, Fim de Festa se debruça sobre o presente do Recife e sobre as marcas que a violência deixa em uma família. O carnaval funciona como imagem de uma cidade que festeja e, no dia seguinte, precisa lidar com o que a festa escondeu. O filme não oferece uma solução fácil para o crime nem para os conflitos de Breno.
O filme também amplia a parceria entre Hilton e Irandhir Santos. Depois de viver Clécio em Tatuagem, o ator assume um personagem mais contido, um pai e policial que tenta reconstruir a autoridade dentro de casa enquanto investiga um crime que parece atravessar a cidade inteira. A diferença de registro entre os dois filmes mostra a capacidade de Hilton de adaptar o mesmo universo pernambucano a tons distintos.
A escolha de ambientar a história no pós-carnaval permite que o filme trabalhe com a ideia de ressaca, tanto física quanto moral. A cidade que aparece na tela não é a mesma dos cartões-postais: é um lugar de calor, trânsito, casas apertadas e memórias que voltam quando a música para. Essa atenção ao espaço cotidiano é uma das marcas do cinema de Hilton e aparece também em Tatuagem e em seus roteiros para Cláudio Assis.
Para quem acompanha a carreira de Hilton, Fim de Festa é a chance de ver o diretor trabalhar com um gênero mais próximo do suspense, sem abandonar o interesse por personagens em crise e por espaços urbanos marcados por desigualdade. A obra está disponível em plataformas ligadas à Imovision.




