Floradas na Serra foi o livro que apresentou Dinah Silveira de Queiroz ao público, em 1939, e o que a transformou em uma das autoras mais lidas do Brasil. Premiado no ano seguinte com o Prêmio Antônio de Alcântara Machado, da Academia Paulista de Letras, o romance acompanha personagens que tratam a tuberculose longe de casa, em uma rotina feita de repouso, esperança e incerteza. É uma história sobre doença e afeto que firmou a autora e nunca saiu de catálogo.
O cenário que deu fama ao livro
Na primeira metade do século XX, Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, era conhecida como estância de tratamento da tuberculose, e o clima de montanha atraía doentes de todo o país. Dinah transformou esse cenário em literatura, retratando o cotidiano de pacientes que revisitam suas escolhas enquanto o futuro é uma pergunta aberta. A cidade, os hotéis e as casas de repouso funcionam como uma espécie de personagem coletivo, e é essa ambientação que costuma ligar o título, na memória do leitor, à própria história do tratamento da tuberculose no Brasil.
Memória pessoal e ficção
A obra nasceu também de uma perda pessoal. Dinah perdeu a mãe quando era criança, e a cena de despedida entre um personagem que morre e a filha pequena foi inspirada no episódio vivido pela autora, ainda menina. Esse fundo autobiográfico não transforma o romance em memorial: o livro organiza a experiência em uma narrativa de personagens, com tensões amorosas, escolhas pessoais e as hierarquias internas de um lugar onde todos convivem com a mesma ameaça.
Do livro para o cinema e a televisão
Em 1954, Floradas na Serra chegou ao cinema pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, dirigido pelo italiano Luciano Salce, com roteiro de Fabio Carpi, Cacilda Becker e Jardel Filho nos papéis principais. O filme venceu categorias do prêmio da Associação Brasileira de Cronistas Cinematográficos, entre elas melhor filme, melhor direção e melhor atriz, e integra a fase de ouro do estúdio paulista que produziu alguns dos títulos mais ambiciosos do cinema nacional nos anos 1950. A televisão também adaptou o romance: em 1981, a série Teleromance, da TV Cultura, levou a história à telinha com Bete Mendes no elenco, e no início dos anos 1990 a TV Manchete produziu uma nova versão, com Carolina Ferraz e Marcos Winter entre os protagonistas.
Por que ler hoje
O romance interessa a quem estuda a história da saúde no Brasil, a quem acompanha a literatura feita por mulheres e a quem procura um drama de personagens denso e legível. O livro de estreia é o título mais acessível da autora e continua sendo a porta de entrada mais comum na obra de Dinah Silveira de Queiroz. Para quem quer entender por que uma escritora de 1939 segue sendo lida, Floradas na Serra é o ponto de partida natural.





