Margarida La Rocque: A Ilha dos Demônios é o livro de Dinah Silveira de Queiroz que mais se afasta do romance histórico e do realismo social de sua geração. Publicado em 1949 pela Livraria José Olympio Editora e traduzido para o francês e o espanhol, o romance é apontado pela crítica como um dos raros exemplos de narrativa fantástica na literatura brasileira do século XX, com elementos góticos e sobrenaturais pouco comuns em nossa ficção até então.
A história de Margarida
Dividido em duas partes, intituladas “A Profecia” e “O Julgamento de Deus”, o romance começa na França. Margarida La Rocque cresce cercada de cuidados, casa-se com o aventureiro Cristiano e o vê partir para a América. Sem notícias do marido, convence o primo Roberval, comandante de uma expedição, a levá-la em busca dele. Durante a viagem, envolvida com o tripulante João Maria, é descoberta e abandonada como castigo em uma ilha desabitada, junto com a aia Juliana.
Na segunda parte, a narrativa se volta para a sobrevivência do trio e para o que a ilha guarda. Vozes, espíritos e duendes se manifestam a Margarida, que também precisa lidar com ciúme, solidão e culpa enquanto tenta entender o que é real e o que nasce de sua própria mente. Quando os companheiros morrem, ela permanece sozinha até ser resgatada por pescadores e devolvida à civilização.
Por que o livro é incomum
Em 1949, o romance brasileiro vivia uma fase de forte compromisso com o retrato social e regional. Dinah tomou outra direção: construiu uma narrativa psicológica em que o sobrenatural não é enfeite, mas parte do conflito. O julgamento moral da protagonista, condenada por um comandante que também é seu parente, e a convivência com presenças invisíveis fazem do livro uma obra difícil de encaixar em um único gênero — o que explica o interesse que ele desperta até hoje entre estudiosos da literatura fantástica.
O lançamento pela Livraria José Olympio Editora saiu no mesmo ano de uma edição portuguesa pela Livros do Brasil, e o romance foi traduzido para o francês e para o espanhol. Esse trânsito internacional incomum para um autor brasileiro da época mostra que a história de Margarida encontrou leitores além do país já em seu primeiro ano de vida.
Para quem é esta leitura
- Leitores de fantástico, gótico e ficção psicológica;
- Quem quer conhecer uma face menos óbvia de Dinah Silveira de Queiroz;
- Estudantes e estudiosos da literatura brasileira do século XX;
- Leitores que procuram autores nacionais fora do eixo regionalista da época.
A tradução para outros idiomas no ano de lançamento mostra que o romance também encontrou leitores fora do Brasil. É a escolha certa para quem já conhece os títulos históricos da autora e quer vê-la em outro registro.





