Contexto e proposta de Guerrilha Urbana
Guerrilha Urbana leva o leitor ao Rio de Janeiro imediatamente posterior ao golpe militar de 1964. O romance parte do Largo do Machado e dos bairros vizinhos para montar uma radiografia irônica da cidade: o cotidiano de quem tenta viver normalmente enquanto a política reorganiza tudo ao redor. A narrativa rendeu a Cunha de Leiradella o Prêmio Nacional Clube do Livro de Literatura, em 1988.
A edição publicada pela Editora Cintra em 2020 devolve o romance ao catálogo, com 229 páginas. O texto trabalha com cenas de rua, conversas de botequim e personagens que calculam o risco de cada gesto. Não é um livro de tese política: o foco está nas pessoas comuns alcançadas pelo endurecimento do regime, e na maneira como a violência entra na vida diária sem pedir licença.
Guerrilha Urbana interessa a leitores de ficção histórica e a quem pesquisa a literatura brasileira do período militar, especialmente romances que escolheram o humor e a observação de costumes em vez do panfleto. O tom de crônica urbana conversa com o restante da obra de Leiradella, que costuma ambientar suas histórias no cotidiano das grandes cidades.
A leitura funciona como porta de entrada para a veia mais urbana e política do escritor, em contraste com os livros introspectivos do personagem Eduardo da Cunha Júnior. O eBook facilita o acesso a um título que passou anos fora das prateleiras, e a edição mantém a linguagem seca e o humor que a crítica destacou quando o romance foi premiado.




