Contexto e proposta de Os Espelhos de Lacan
Os Espelhos de Lacan é o romance em que Cunha de Leiradella leva ao limite o exercício de olhar para dentro. Publicado pela Editora Ciência Moderna em 2004, o livro acompanha um homem que revê a própria trajetória — amores, conflitos, decisões — e transforma o leitor em companheiro dessa viagem. A narrativa conduz por associação, acumulando lembranças e pensamentos até formar um retrato da condição humana.
O título dialoga com a psicanálise, mas o romance não é um ensaio disfarçado: as ideias aparecem dissolvidas na experiência do personagem. A edição brasileira tem 116 páginas e circulou também fora do país. Em Portugal, o livro saiu pela Editora Calígrafo, em 2008. Na Itália, foi traduzido como Gli Specchi di Lacan, publicado pela Edizioni Sette Città em 2012, com tradução de Rachele Cucco.
A leitura é indicada a quem aprecia ficção introspectiva e a quem acompanha o personagem Eduardo da Cunha Júnior, presente na obra do autor. Diferente dos romances de trama mais movimentada, aqui o interesse está no fluxo de consciência e na forma como o narrador costura memória e presente.
Quem lê a obra de Cunha de Leiradella em sequência costuma encontrar em Os Espelhos de Lacan um ponto de virada: o texto aprofunda a investigação psicológica que aparece em livros anteriores e prepara o tom mais depurado das obras seguintes. A edição da Ciência Moderna é a referência brasileira para esse título, que também aparece com destaque em estudos acadêmicos sobre a ficção do autor.




