História do Rio Grande do Sul é a obra-síntese de Souza Docca, publicada em 1954, nove anos depois da morte do autor. O volume saiu pela Organização Simões, do Rio de Janeiro, como primeiro título da coleção Biblioteca Brasil, com 462 páginas e prefácio do desembargador Florêncio de Abreu, companheiro de fundação do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul.
O próprio prefácio dá a medida do que o livro representa: segundo Florêncio de Abreu, era um trabalho que nenhum outro escritor sul-rio-grandense poderia empreender com maior autoridade na matéria. Docca era considerado um arquivo vivo da história gaúcha, e a obra reúne décadas de pesquisa documental em uma narrativa contínua.
O que o livro cobre
A obra percorre a formação do Rio Grande do Sul em um arco amplo, que vai do território e da ocupação inicial até os movimentos revolucionários das primeiras décadas do século XX. Entre os temas tratados estão:
- aspectos físicos do território e primeiras ocupações;
- formação do povo, imigração e povoamento;
- economia, sociedade e administração;
- religião, cultura e ensino;
- lutas externas e internas, com destaque para a Revolução Federalista;
- partidos políticos, propaganda republicana e abolição da escravatura.
O volume inclui mapas desdobráveis com a reconstituição histórico-cartográfica da Capitania do Rio Grande de São Pedro do Sul em 1809 e 1822, trabalho realizado em 1942, além de um índice geral de capítulos ao final. Para pesquisadores, esses mapas são um dos atrativos da edição, ao lado do olhar de quem participou de alguns dos episódios narrados.
Uma síntese escrita por um militar-historiador
Docca escreveu o livro na maturidade, depois de uma carreira militar que chegou ao generalato e de uma produção anterior voltada para a Guerra do Paraguai, o Prata e a Farroupilha. A experiência aparece na forma como trata documentos oficiais, correspondência de comandos e relatórios administrativos. O resultado é uma história política e militar do Rio Grande do Sul, com tese clara: a de que a formação gaúcha se explica pela colonização portuguesa e pela integração ao projeto nacional brasileiro.
A historiografia posterior discutiu e contestou parte dessas conclusões, sobretudo a hierarquização de origens étnicas e a leitura luso-brasileira da formação social. Ainda assim, o livro permanece como fonte para entender como o Rio Grande do Sul narrou a própria história no século XX.
A edição póstuma e a coleção
A edição saiu nove anos depois da morte do autor, pela Organização Simões, como número 1 da coleção Biblioteca Brasil, iniciativa voltada a obras de referência sobre a história nacional. O prefácio de Florêncio de Abreu funciona também como apresentação do autor: amigo de fundação do instituto histórico, ele escreveu o texto como quem conhecia de perto o método de pesquisa e a biblioteca reunida por Docca.
O resultado é uma obra de consulta, escrita para durar, e não um ensaio de circunstância. Capítulos extensos, notas documentais e os mapas desdobráveis indicam o público imaginado: professores, pesquisadores e leitores interessados em uma narrativa completa da formação gaúcha, em um tempo anterior à consolidação dos cursos universitários de história no estado.
Como comprar
Esgotada desde a primeira edição, a obra circula apenas no mercado de livros usados. Ao procurar um exemplar, vale conferir a presença dos mapas desdobráveis, o estado da lombada e a integridade das 462 páginas. Sebos especializados em história do Brasil costumam listar o volume com alguma frequência.


