Ilha das Flores é um curta-metragem de 12 minutos, realizado em 35 mm, que acompanha a trajetória de um tomate desde a plantação até o lixão. A direção e o roteiro são de Jorge Furtado; a montagem é de Giba Assis Brasil. Monica Schmiedt, Giba e Nora Goulart assinam a produção executiva.
O filme começa com uma frase simples e vai acumulando informações sobre o caminho do alimento. O tomate é colhido, transportado, vendido e descartado. Quando chega ao lixão, a narrativa muda de escala: o que parecia uma aula sobre agricultura se revela uma reflexão sobre desigualdade, trabalho e dignidade.
O que o filme propõe
Ilha das Flores não é uma reportagem sobre desperdício. A estrutura se aproxima de uma demonstração, com narração em voz over, repetições e contrastes que levam o espectador de uma informação aparentemente banal para uma conclusão incômoda. A narração de Paulo José conduz o raciocínio, enquanto as imagens mostram o percurso do tomate e as pessoas que vivem do que sobra.
O roteiro de Jorge Furtado organiza o filme em etapas. Cada etapa acrescenta um dado e desloca o ponto de vista: do supermercado para o lixo, do lixo para os animais, dos animais para as mulheres e crianças que disputam restos. A ironia está no modo como o texto trata a hierarquia entre tomates, porcos e seres humanos como se fosse uma questão técnica.
A montagem de Giba Assis Brasil
A montagem é o que dá velocidade e coerência a esse raciocínio. Giba Assis Brasil articula planos de arquivo, imagens de feira, close de tomates e cenas no lixão sem deixar que o filme perca o fio. A comparação entre os seres vivos só funciona porque o corte estabelece uma lógica interna, quase didática, que o espectador acompanha até o fim.
O trabalho rendeu o prêmio de melhor montagem no Festival de Gramado de 1989, ao lado das categorias de melhor filme e melhor roteiro. É um reconhecimento raro para um curta e ajuda a explicar por que o filme continua sendo estudado em cursos de cinema, comunicação e ciências sociais.
Prêmios e circulação
Além dos prêmios em Gramado, Ilha das Flores recebeu o Urso de Prata de curta-metragem no Festival de Berlim de 1990. No mesmo ano, ganhou o Prêmio Air France e o Prêmio Margarida de Prata. Em 1991, passou pelo Festival de Clermont-Ferrand, na França, com Prêmio Especial do Júri e Melhor Filme pelo júri popular.
O filme também foi exibido em mostras e festivais em Nova York, Hamburgo e Saint Paul, consolidando uma circulação internacional incomum para um curta brasileiro daquele período. A ficha completa está na página oficial da Casa de Cinema de Porto Alegre.
Onde assistir
A obra está disponível em canais públicos e plataformas indicadas pela produtora, incluindo o YouTube e o Sulflix. O link oficial reúne as opções atualizadas e os créditos completos. Para quem quer entender a carreira do montador, vale seguir a trilha: Giba Assis Brasil montou outros curtas e longas da mesma produtora.
Ilha das Flores permanece um exemplo de como cinema de baixo orçamento pode construir um argumento complexo com recursos simples. A força do filme não está em efeitos, mas na organização das imagens e das ideias — e a montagem é uma peça central dessa engrenagem.




