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Giba Assis Brasil

Giba

Nascimento: 1957 Porto Alegre, RS
Ver projetos (4)
Montador, diretor e professor gaúcho, sócio-fundador da Casa de Cinema de Porto Alegre. Assinou a montagem de Ilha das Flores e O Homem que Copiava.

Giba Assis Brasil estava na montagem de Ilha das Flores quando o curta de Jorge Furtado virou uma das obras mais exibidas do cinema brasileiro. O tomate que sai da plantação, passa pela feira e termina no lixão ganhou o ritmo que o público vê na tela dentro da sala de edição — e é por esse ofício, o de montador, que a trajetória dele se organiza.

Gilberto José Pires de Assis Brasil nasceu em Porto Alegre, em 5 de abril de 1957. Formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1980. Sete anos depois, participou da fundação da Casa de Cinema de Porto Alegre, produtora que ajudou a moldar uma geração de filmes e séries gaúchos. A história dele se confunde com a da casa: os mesmos parceiros, os mesmos projetos e uma produção que passou do curta ao longa, da televisão ao streaming.

A montagem como fio condutor

O perfil oficial da Casa de Cinema resume a escala do trabalho: mais de 20 longas-metragens montados, 40 curtas e 120 episódios de séries. São números que explicam por que Giba é lembrado antes de tudo como montador, mesmo tendo também dirigido, escrito e ensinado.

Na ficha técnica, o nome dele aparece em filmes de diferentes gerações e registros. Uma lista curta ajuda a enxergar a amplitude:

  • Ilha das Flores (1989), curta de Jorge Furtado que ganhou o Urso de Prata em Berlim;
  • O Homem que Copiava (2003), longa estrelado por Lázaro Ramos e Leandra Leal;
  • Saneamento Básico, O Filme (2007), comédia com Wagner Moura e Fernanda Torres;
  • Aos Olhos de Ernesto (2019), longa dirigido por Ana Luiza Azevedo.

Montar é decidir o que o espectador vê, em que ordem e por quanto tempo. Em Ilha das Flores, essa decisão é parte do argumento: a sequência que compara tomates, porcos e pessoas só funciona porque o corte conduz a comparação sem pressa. O mesmo cuidado aparece em comédias de ritmo mais solto, como Saneamento Básico, e em dramas de memória, como Aos Olhos de Ernesto. A montagem muda de temperatura conforme o filme, mas mantém uma preocupação com clareza narrativa.

O trabalho dele não se limita a cortar cenas. A montagem também organiza o ponto de vista, esconde elipses, sustenta piadas e dá tempo para o espectador entender o que acabou de ver. Em uma carreira longa, isso significa atravessar formatos muito diferentes sem perder o fio.

Verdes Anos e a passagem para a direção

Antes de se consolidar como montador, Giba co-dirigiu Verdes Anos (1984) ao lado de Carlos Gerbase. O longa de 91 minutos se passa em 1972 e acompanha três dias na vida de uma turma de colégio, entre bailes, namoros e descobertas. O filme recebeu o Prêmio Revelação no Festival de Gramado de 1984 e se tornou um retrato geracional da juventude gaúcha daquele período.

A experiência de direção não o afastou da escrita. Ele assinou o roteiro do longa Super Colosso (1995) e da série Agosto (1993), além de participar da criação de projetos da Casa de Cinema. Dirigir, escrever e montar são ofícios distintos, mas, no caso dele, alimentam o mesmo entendimento de dramaturgia.

A Casa de Cinema e a produção gaúcha

A Casa de Cinema de Porto Alegre nasceu em 1987 da união de um grupo de realizadores. Giba estava entre os sócios-fundadores, ao lado de nomes como Jorge Furtado, Ana Luiza Azevedo e Nora Goulart. O modelo coletivo permitiu que a produtora mantivesse uma linha de produção contínua, alternando curtas, longas e séries para televisão.

Foi nesse ambiente que Ilha das Flores ganhou forma. O curta venceu o Festival de Gramado de 1989 nas categorias de melhor filme, roteiro e montagem, entre outras premiações, e recebeu o Urso de Prata de curta-metragem no Festival de Berlim de 1990. O prêmio ampliou a circulação internacional do filme e da produtora, e a parceria entre Giba e Jorge Furtado seguiu em outros projetos.

Anos depois, a dupla voltaria a trabalhar em longas de grande circulação, como O Homem que Copiava (2003) e Saneamento Básico, O Filme (2007). Giba assinou a montagem dos dois. Em 2019, montou Aos Olhos de Ernesto, dirigido por Ana Luiza Azevedo, mostrando que a parceria com a casa seguia ativa em outro registro.

Professor, conselheiro e autor de blog

A atuação de Giba também passa pela sala de aula. Ele leciona no curso de Realização Audiovisual da Unisinos desde 2003 e deu aulas na UFRGS entre 1994 e 2005. Desde 2004, integra o Conselho Superior de Cinema, órgão de formulação de políticas para o setor.

Fora do cinema, mantém um blog na Casa de Cinema em que escreve sobre linguagem, cinema, literatura e curiosidades. Os textos sobre palíndromos e detectores de IA mostram um lado de observador inquieto, menos interessado em defender uma posição e mais em examinar como as palavras e as imagens funcionam.

Essa combinação de ofício técnico, ensino e escrita ajuda a explicar a longevidade da carreira. Giba não é apenas o montador de filmes conhecidos: é alguém que pensa sobre o cinema e transmite esse pensamento em aulas, textos e conversas públicas.

Onde a obra de Giba Assis Brasil pode ser vista

Quatro trabalhos ajudam a acompanhar a trajetória dele em diferentes fases. Verdes Anos mostra a estreia na direção; Ilha das Flores concentra o trabalho de montagem que o tornou conhecido; O Homem que Copiava e Saneamento Básico, O Filme exibem a parceria com Jorge Furtado em longas de público amplo.

Os filmes circulam em festivais, plataformas de streaming e canais oficiais. O perfil da Casa de Cinema reúne as fichas técnicas, os prêmios e as opções de onde assistir. Para quem quer entender o cinema brasileiro feito no Sul, a filmografia de Giba é uma porta de entrada concreta, com começo, meio e desdobramentos.

Projetos de Giba Assis Brasil

Ilha das Flores
Ilha das Flores
Curta de 1989 dirigido por Jorge Furtado e montado por Giba Assis Brasil. Um tomate vira fio condutor para falar de lixo, desigualdade e dignidade humana.
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O Homem que Copiava
O Homem que Copiava
Longa de 2003 dirigido por Jorge Furtado, com montagem de Giba Assis Brasil. Uma comédia sobre dinheiro, desejo e as escolhas de André, um jovem operador de fotocopiadora.
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Saneamento Básico, O Filme
Saneamento Básico, O Filme
Comédia de 2007 dirigida por Jorge Furtado e montada por Giba Assis Brasil. Uma pequena comunidade decide filmar a própria história para conseguir saneamento básico.
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Verdes Anos
Verdes Anos
Longa de 1984 co-dirigido por Giba Assis Brasil e Carlos Gerbase. Um retrato de adolescência ambientado em 1972, com três dias na vida de uma turma de colégio.
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