Contexto e proposta de Inquisitorial
Inquisitorial é o livro que apresentou José Carlos Capinan como poeta. Publicado em 1966 pela Civilização Brasileira, quando ele tinha 25 anos, o volume marcou a poesia participante brasileira ao discutir a realidade social e política do país sem abrir mão da invenção de linguagem — combinação que reapareceria nas letras do tropicalismo.
A obra nasceu do mesmo ambiente que formou Capinan no Centro Popular de Cultura, em Salvador, e à mesa de amigos como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Em vez de transformar o poema em panfleto, o autor construiu uma lírica inquieta, que pergunta pela realidade sem abrir mão da forma.
A reedição de 1995
Quase trinta anos depois, a Civilização Brasileira relançou Inquisitorial com orelhas de Ênio Silveira e um ensaio crítico introdutório de José Guilherme Merquior, escrito ainda em 1968 e publicado em A astúcia da mímese. Esse texto ajudou a fixar a leitura do livro como um dos marcos da nova lírica brasileira dos anos 1960.
Para quem pesquisa a poesia política do período militar, Inquisitorial é leitura de base: mostra como a geração de Capinan encontrou saídas metafóricas para falar de liberdade em um país sob censura. O livro também interessa a leitores de MPB que querem ver a matriz dos versos que depois viraram canções.


![Cancioneiro Geral [1962–2023]](https://cdn.autoridades.org/autoridades/jose-carlos-capinam/cancioneiro-geral-1962-2023.webp)

