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José Carlos Capinam

Capinan

Nascimento: 1941 Salvador, Bahia
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Escritor, letrista e médico nascido na Bahia em 1941. Um dos autores centrais do tropicalismo, é presidente de honra do Muncab e integra a Academia de Letras da Bahia.

José Carlos Capinam, o Capinan da música popular brasileira, escreveu letras que o país canta há décadas: "Soy loco por ti, América", "Ponteio", "Papel machê", "Moça bonita". Poeta publicado desde 1966, quando lançou Inquisitorial, ele atravessou o Centro Popular de Cultura, o tropicalismo, os festivais de canção e a política cultural da Bahia — foi também médico, jornalista e publicitário.

Quem é José Carlos Capinam

Nascido em 19 de fevereiro de 1941 no Arraial das Pedras, distrito de Entre Rios, no interior da Bahia, e registrado na cidade de Esplanada, José Carlos Capinam assina também como Capinan, a grafia que a música popular consagrou. Poeta, letrista, dramaturgo, jornalista, publicitário e médico, vive em Salvador e integra a Academia de Letras da Bahia.

É presidente de honra do Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira (Muncab) e presidente da Associação de Amigos da Cultura Afro-Brasileira (Amafro), funções que mostram uma atuação que ultrapassa a canção e a literatura.

Da poesia ao palco: como Capinan se formou

Aos 15 anos começou a escrever poemas. Em 1960 mudou-se para Salvador para cursar Direito na Universidade Federal da Bahia, mas foi no teatro do Centro Popular de Cultura (CPC), ligado à União Nacional dos Estudantes, que encontrou o grupo decisivo da sua geração: ali cruzou com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé.

Em 1963 escreveu e estreou o musical Bumba-meu-boi, com trilha composta em parceria com Tom Zé. No ano seguinte formou-se em Artes Cênicas e em Direito. Depois do golpe militar de 1964, deixou Salvador e foi para São Paulo trabalhar como redator publicitário; nesse circuito conheceu Geraldo Vandré, Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal e Edu Lobo, portas de entrada para o meio musical paulistano.

A formação médica veio mais tarde: graduou-se em Medicina pela Universidade Federal da Bahia, profissão que chegou a exercer.

Ponteio, Tropicália e as parcerias que definiram sua obra

A primeira música gravada com letra dele foi "Ladainha", parceria com Gilberto Gil, lançada por Nara Leão em 1966. No mesmo ano, "Canção para Maria", musicada por Paulinho da Viola, ficou em terceiro lugar no II Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record, na voz de Jair Rodrigues.

Em 1967 veio a consagração nos festivais: "Ponteio", parceria com Edu Lobo, venceu o III Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record, e rendeu a Capinan o Prêmio Sabiá de Ouro. Naquele ano, Capinan assinou com Torquato Neto o roteiro do programa "Vida, Paixão e Banana do Tropicalismo", apresentado por Caetano Veloso, Gil e Gal Costa, com direção de José Celso Martinez Corrêa.

Em 1968, "Clarice" (com Caetano Veloso) e "Soy loco por ti, América" (com Gilberto Gil) chegaram ao público na voz de Caetano. "Miserere Nobis", também com Gil, integrou o disco-manifesto Tropicália ou Panis et Circencis. No ano seguinte, "Gotham City", parceria com Jards Macalé, foi defendida no IV Festival Internacional da Canção, da TV Globo.

As parcerias se multiplicaram: Edu Lobo, Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Jards Macalé, João Bosco, Fagner, Geraldo Azevedo, Moraes Moreira, Zé Ramalho, Francis Hime, Sueli Costa, Robertinho de Recife e Gereba, entre outros. Canções como "Papel machê", "Moça bonita", "Gemedeira", "Coração imprudente" e "Yáyá Massemba" foram gravadas por João Bosco, Geraldo Azevedo, Amelinha, Paulinho da Viola e Maria Bethânia.

Os livros: de Inquisitorial ao Cancioneiro Geral

Capinan publicou o primeiro livro de poemas, Inquisitorial, em 1966, pela Civilização Brasileira. O volume se tornou um marco da poesia participante no Brasil e recebeu reedição em 1995, com ensaio crítico de José Guilherme Merquior e orelhas de Ênio Silveira.

Em 1976, poemas dele entraram na antologia 26 poetas hoje, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda. Nos anos seguintes vieram Ciclo de Navegação, Bahia e Gente, Confissões de Narciso e Balança mas Hai Kai. Em 1996 publicou Uma canção de amor às árvores desesperadas e a antologia Poemas, pela Fundação Casa de Jorge Amado.

Já neste século, lançou Vinte canções de amor e um poema (Caramurê, 2014) e, em 2024, a antologia Cancioneiro Geral [1962–2023], organizada por Claudio Leal e Leonardo Gandolfi, que reúne todos os seus livros de poesia, poemas esparsos e uma vasta seleção de letras escritas entre 1965 e 2023. A orelha é assinada por Maria Bethânia, e o posfácio, por Claudio Leal.

Televisão, gestão cultural e reconhecimento público

Em 1984, Capinan estruturou a TV Educativa da Bahia, criando programas para o lançamento da emissora, e no ano seguinte atuou como diretor. Em 1986 foi nomeado secretário municipal de Cultura de Camaçari e passou a integrar o Conselho Nacional de Direito Autoral, do Ministério da Cultura.

Entre 1987 e 1989 foi secretário da Cultura do Estado da Bahia e presidente dos fóruns Nacional de Secretários da Cultura e Estadual de Cultura. Em 1988, o LP O Viramundo – 21 anos de Tropicalismo reuniu composições dele em homenagem ao movimento.

Em abril de 2023, a Câmara Municipal de Salvador entregou a Capinan a Medalha do Mérito Cultural, proposta pelo vereador Sílvio Humberto, em reconhecimento à trajetória do poeta. Em 2024, ele lançou o Cancioneiro Geral na Academia de Letras da Bahia e no Sesc 24 de Maio, em São Paulo, em um show com Jards Macalé e Renato Braz. Em 2025, o Selo Sesc lançou o álbum ao vivo Sessões Selo Sesc #14: Cancioneiro Geral – Tributo a Capinan. Em 2026, participou da programação literária da 10ª FLIPELÔ, no Pelourinho.

Por onde começar a ouvir e ler Capinan

  • Canções: "Soy loco por ti, América", "Ponteio", "Papel machê", "Moça bonita", "Clarice" e "Coração imprudente".
  • Livros: Inquisitorial (1966), Confissões de Narciso e Cancioneiro Geral [1962–2023] (2024).
  • Álbuns: O Viramundo – 21 anos de Tropicalismo (1988) e Sessões Selo Sesc #14 (2025).
  • Parceiros de criação: Gilberto Gil, Caetano Veloso, Edu Lobo, Jards Macalé, Paulinho da Viola e João Bosco.
  • Instituições: Academia de Letras da Bahia, Muncab e Amafro.

A obra de Capinan continua circulando em discos, antologias e shows, e a edição do Cancioneiro Geral tornou possível ler em sequência o que antes estava disperso entre livros esgotados e letras gravadas. Para quem chega agora, uma porta de entrada é ouvir "Ponteio" e "Soy loco por ti, América" e depois abrir a antologia de 2024: a poesia explica a canção, e a canção devolve a poesia ao ouvido.

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Inquisitorial
Inquisitorial
Primeiro livro de poemas de Capinan, lançado em 1966 e reeditado em 1995 pela Civilização Brasileira, com ensaio de José Guilherme Merquior.
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