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Ladainha

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Livro de poemas lançado pela Record em 2017, apontado pela crítica como um ponto de virada na obra poética de Bruna Beber.

Contexto e proposta de Ladainha

Ladainha é o livro de poemas que Bruna Beber publicou pela Record em 2017 e que a crítica passou a tratar como um ponto de virada em sua obra. A autora descreveu o processo como um exercício de colocar em conflito os próprios modos de fazer poesia, aceitando o risco de reescrever, negar e recomeçar a cada poema.

O resultado é um livro mais grave do que os anteriores, com poemas que investigam o ofício da escrita e o mistério de fazer escolhas. Resenhas publicadas na época, como a da Folha de S.Paulo, falaram em maturidade rítmica; outras, como a da Revista Continente, descreveram o livro como uma nota tocada uma oitava abaixo em relação à produção anterior, sinal de amadurecimento sem perda de musicalidade. A própria autora associou o título à ideia de um livro sem filiação, cheio de desabamentos e recomeços.

De Ladainha saiu o poema “101”, que ganhou versão musicada por Juliana Perdigão na canção “Só com muito vento”, do álbum Folhuda (2019). Essa passagem do livro para a música é uma marca da trajetória de Bruna Beber, que também assina letras e parcerias com artistas como Letrux, Arthur Braganti, Pedro Cassel e Dimitri BR.

O título ocupa uma posição central na bibliografia da autora: veio depois de Rua da padaria (2013), o livro do poema “romance em doze linhas”, e antes de Veludo rouco (2023), vencedor do prêmio APCA de poesia. Entre um e outro, Bruna Beber publicou o ensaio Uma encarnação encarnada em mim (2022), resultado de sua pesquisa na Unicamp sobre Stella do Patrocínio.

No mesmo ano, a autora teve poemas incluídos na antologia É agora como nunca, organizada por Adriana Calcanhotto, o que ajudou a levar o livro para além do circuito estritamente literário. Para quem quer acompanhar a evolução da poesia brasileira contemporânea, Ladainha é uma leitura que mostra a passagem de uma dicção mais melódica para outra mais reflexiva, sem abandonar o humor e a atenção ao cotidiano. É também um bom ponto de entrada para leitores que chegaram à autora pelos poemas musicados ou pelas antologias de que ela participou.

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