O poema “romance em doze linhas” atravessou camisetas, leituras públicas e antologias antes de dar título a uma edição de bolso que reúne a obra poética de Bruna Beber. Publicado em Rua da PadariA (2013), o texto é o mais conhecido de uma autora que começou a publicar aos 22 anos e fez da memória da Baixada Fluminense e da vida em São Paulo matéria de poesia, canção e tradução.
Bruna Beber Franco Alexandrino de Lima nasceu em 5 de março de 1984, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e vive em São Paulo desde 2007, ano em que a mudança para a capital paulista também reorganizou sua escrita. Poeta, tradutora, ensaísta, artista visual e compositora, ela construiu uma obra que circula entre o livro, o palco, a pesquisa acadêmica e a formação de leitores.
Da Baixada Fluminense para a cena literária brasileira
Antes do primeiro livro, Bruna Beber colaborou, ao longo dos anos 2000, com sites, blogs e revistas de literatura, poesia e música. A estreia veio em setembro de 2006, com A fila sem fim dos demônios descontentes, publicado pela 7Letras. Em 2009 lançou balés; em 2010, Rapapés & apupos, que saiu em tiragem limitada de 50 exemplares numerados e foi reeditado em 2012.
Em 2013 vieram dois títulos decisivos na sua trajetória: Rua da PadariA, livro de poemas pela Record, e Zebrosinha, seu primeiro livro para crianças, ilustrado por Beta Maya. No mesmo ano, foi uma das autoras convidadas da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). Em 2014, integrou a comissão de escritores que representou o Brasil na Feira do Livro de Göteborg, na Suécia, e seus poemas passaram a aparecer em antologias e revistas na Alemanha, na Argentina, na Espanha, nos Estados Unidos, no México e em Portugal.
Uma obra entre a rua, a memória e a música
Com Ladainha (Record, 2017), a recepção crítica passou a descrever sua poesia como mais grave e madura, em um livro que a própria autora apresentou como um exercício de conflito com os seus modos de fazer poesia. Dois anos depois, o poema “101”, do mesmo livro, virou a canção “Só com muito vento”, gravada por Juliana Perdigão. Outras parcerias nasceram de versos seus: “Merthiolate”, de A fila sem fim dos demônios descontentes, ganhou versão de Pedro Cassel com participação de Letrux, e “Que Estrago” foi composta por Bruna Beber, Letrux e Arthur Braganti para o álbum Letrux em Noite de Climão (2017).
Na pesquisa acadêmica, concluiu em 2021 o mestrado em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com dissertação sobre a fala poética de Stella do Patrocínio, orientada por Eduardo Sterzi. O estudo deu origem ao ensaio Uma encarnação encarnada em mim: cosmogonias encruzilhadas em Stella do Patrocínio (José Olympio, 2022). Atualmente é doutoranda na mesma área.
Em VELUDO ROUCO (Companhia das Letras, 2023), organizado em quatro partes — “Amor e morte”, “Natureza e fantasia”, “Ofício e graça” e “História e geografia” —, os poemas circulam por ruas de São Paulo, do Rio de Janeiro e do sul da África. O livro venceu o prêmio APCA de poesia. Em 2025, a Companhia das Letras lançou Romance em doze linhas e outros poemas, edição de bolso que reúne cinco de seus livros anteriores, com apresentação de Eduardo Coelho.
Tradução: de Shakespeare a Dr. Seuss
Desde 2015, Bruna Beber traduz do inglês poesia, contos, romances, ensaios e dramaturgia. Entre os trabalhos estão Hamlet, de William Shakespeare (Ubu, 2019), o volume que reúne a poesia de Louise Glück, Poemas (2006–2014), no qual assina a tradução de Uma vida no interior (Companhia das Letras, 2021), Chelsea Girls, de Eileen Myles (Todavia, 2019), e Mary Ventura e o Nono Reino, de Sylvia Plath (2019). Ela também traduziu romances de Agatha Christie, como M ou N? e A noite das bruxas, e textos de Mary Gaitskill.
No público infantojuvenil, traduziu livros de Dr. Seuss, como O Lórax, O gatola da cartola e Como o Grinch roubou o Natal, além de Coraline, de Neil Gaiman (Intrínseca, 2020), que recebeu o selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) na categoria Tradução Adaptação Jovem, e Julián é uma sereia, de Jessica Love (Boitatá, 2021).
Palavra, performance e curadoria
A palavra também organiza o trabalho de Bruna Beber fora do livro. Em artes visuais, apresentou exposições individuais e coletivas, como PAPÉIS PRIVADOS (2011), com poemas escritos em papéis de assento sanitário e expostos nos banheiros da Galeria Virgílio durante a Balada Literária, evento criado pelo escritor Marcelino Freire, e Brinquedos Espalhados (2016), no Oi Futuro Ipanema.
Seus poemas aparecem em antologias no Brasil e no exterior, entre elas É agora como nunca, organizada por Adriana Calcanhotto, e Breve Antologia da Poesia Engraçada, organizada por Gregório Duvivier. Nos últimos anos, atua como curadora em projetos como o Festival Poesia no Centro e a programação do Museu da Língua Portuguesa, além de participar de ações de formação de leitores em diferentes cidades.
Perguntas frequentes sobre Bruna Beber
Qual é o livro mais conhecido de Bruna Beber?
Rua da PadariA (2013) é o título mais lembrado, por causa do poema “romance em doze linhas”. Quem quer uma visão de conjunto pode começar por Romance em doze linhas e outros poemas (2025), que reúne cinco de seus livros, ou por VELUDO ROUCO (2023), vencedor do prêmio APCA de poesia.
Bruna Beber é tradutora de quais autores?
Ela traduz do inglês desde 2015 e assina versões em português de William Shakespeare, Louise Glück, Sylvia Plath, Eileen Myles, Mary Gaitskill, Agatha Christie, Neil Gaiman e Dr. Seuss, entre outros.
Onde Bruna Beber nasceu e onde vive?
Nasceu em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, em 1984. Vive em São Paulo desde 2007, cidade que aparece com frequência em seus poemas e canções.
Marcos da trajetória
- Prêmio APCA de poesia por VELUDO ROUCO (2023);
- Selo Altamente Recomendável da FNLIJ pela tradução de Coraline;
- Participação na FLIP (2013) e na Feira do Livro de Göteborg (2014);
- Poemas publicados em antologias na Alemanha, na Argentina, na Espanha, nos Estados Unidos, no México e em Portugal.
Seu trabalho mais recente em livro é Romance em doze linhas e outros poemas (2025), enquanto mantém atividade como curadora, tradutora e doutoranda em Teoria Literária.






