Contexto e proposta de Laertevisão
Laertevisão: Coisas Que Não Esqueci é um livro de memórias em que Laerte olha para trás — e para a televisão que a formou. A edição especial da Conrad reúne quadrinhos, fotos e ilustrações de arquivo em 136 páginas, compondo um retrato pessoal e afetivo da vida cotidiana brasileira.
A narrativa começa com a chegada da televisão aos lares do país, no fim dos anos 1950, e acompanha as décadas seguintes pela ótica de quem cresceu diante da tela. Entre um causo e uma lembrança, aparecem a programação da época, os aparelhos, os programas que marcaram gerações e a forma como a TV se misturou à rotina das famílias brasileiras.
Do que o livro trata
O subtítulo Coisas Que Não Esqueci resume o tom: não é uma autobiografia cronológica, e sim uma coleção de memórias escolhidas pela cartunista. Laerte mistura lembranças pessoais e televisivas com material gráfico do fundo da gaveta — desenhos, tirinhas e imagens que ajudam a reconstituir a época sem didatismo.
A edição especial de 2023 retoma o livro publicado originalmente em 2007, com acabamento caprichado para quem valoriza o material visual. É o tipo de obra que funciona tanto como leitura de fôlego curto, entrando e saindo dos capítulos, quanto como um documento da história da comunicação no Brasil.
Por que este livro importa
Além do valor nostálgico, Laertevisão mostra uma faceta menos conhecida da cartunista: a de cronista da vida brasileira. Quem só conhece os Piratas do Tietê ou as tiras mais recentes encontra aqui uma Laerte observadora, que reconstitui a própria formação com humor e franqueza. É também uma porta de entrada para entender de onde vem o repertório televisivo que depois aparece em trabalhos como os roteiros para a TV Pirata.
A televisão como personagem
Ao tratar a TV como personagem principal, o livro se diferencia das memórias tradicionais de artistas. Laerte não reconstitui apenas a própria vida: reconstrói o hábito de assistir televisão no Brasil, dos aparelhos de tubo à grade de programação que organizava a rotina das casas. É um documento afetivo sobre como o país se acostumou a se ver na tela.
O lançamento de 2023, em edição especial, foi pensado para leitores que valorizam acabamento gráfico e material visual. Quem conhece a obra de Laerte vai reconhecer nas páginas o mesmo humor das tiras, agora aplicado à memória. Quem se interessa pela história da televisão brasileira encontra um relato raro, feito por quem estava do outro lado do vidro — ora espectadora, ora roteirista.





