Contexto e proposta de Machado de Assis
Machado de Assis é o livro que transformou Augusto Meyer de poeta em intérprete. Publicado em 1935, o volume nasceu de anos de leitura e de uma admiração declarada pelo autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas, e se tornou referência duradoura: a Academia Brasileira de Letras trata o trabalho como um dos estudos exegéticos mais importantes já escritos sobre o escritor.
O mérito do ensaio está no método. Meyer não se limita a biografar nem a resumir romances; ele investiga a construção da linguagem, o humor, a ironia e a forma secreta que sustenta a obra machadiana — expressão que mais tarde batizaria outro livro seu. Essa leitura de conjunto ajudou a firmar a crítica literária brasileira como campo autônomo, praticada por escritores que liam a literatura a partir de dentro do texto.
Por que este livro continua importante
Para quem estuda Machado de Assis, o volume oferece uma interpretação que dialoga com toda a fortuna crítica posterior. Para quem acompanha a trajetória de Augusto Meyer, ele marca a virada definitiva do poeta para o ensaio, gênero em que se tornaria um dos nomes mais respeitados do século XX. A prosa é densa e elegante ao mesmo tempo, sem jargão acadêmico, e funciona como uma conversa iluminada com a obra machadiana.
A edição disponível no mercado brasileiro é uma reedição do Instituto Estadual do Livro, impressa no Rio Grande do Sul, que recoloca o ensaio ao alcance do leitor comum. É um volume para ler com um romance de Machado por perto — e para voltar depois, porque cada releitura revela novas camadas do texto.





