Contexto e proposta de Prosa dos pagos
Prosa dos pagos reúne os ensaios em que Augusto Meyer olha para o Rio Grande do Sul sem cair no retrato pitoresco. O título se refere aos campos do Sul, os pagos de onde vieram sua infância e boa parte de suas lembranças, e o volume pertence à fase em que o autor combinou observação da cultura regional e ensaio literário com naturalidade.
A primeira edição é de 1943, período em que Meyer já era reconhecido como poeta e começava a se firmar como ensaísta, depois do impacto de seu estudo sobre Machado de Assis. A edição do Instituto Estadual do Livro registra no título o recorte 1941–1959, indicando o período dos textos reunidos, escritos ao longo de quase duas décadas de maturidade intelectual.
O que o leitor encontra aqui
Os textos tratam da terra, das pessoas e das tradições do Sul a partir de dentro, com o repertório de quem estudou folclore e conviveu com a vida rural desde criança. Meyer escreve sobre o gaúcho, a campanha, a linguagem e os costumes com a precisão do ensaísta e a memória afetiva do memorialista. É a mesma sensibilidade que aparece em seus livros de lembranças e que faz dele um intérprete da identidade gaúcha.
Para quem lê a obra de Meyer apenas pela poesia, Prosa dos pagos revela o outro lado da mesma inteligência: a do crítico capaz de pensar uma região inteira sem folclorizá-la. Para leitores interessados na formação da literatura do Rio Grande do Sul, o volume é uma via de acesso direta a um dos autores centrais desse processo.





