Memórias de um exilado é o depoimento que Everardo Dias escreveu logo depois de viver a repressão que narra. Preso em outubro de 1919, ele foi levado para Santos, castigado com 25 chibatadas e deportado no navio Benevente junto com outros militantes acusados de subverter a ordem. O relato saiu no ano seguinte, em 1920.
O que aconteceu em 1919
O livro acompanha a expulsão de militantes operários de Santos, São Paulo e Rio de Janeiro depois da greve geral de 1919, tratada pelas autoridades como vingança pela paralisação de 1917. Everardo Dias descreve as condições das celas, as arbitrariedades da polícia, as escalas do navio, o desembarque negado em Vigo e o retorno ao Brasil em janeiro de 1920, quando foi recebido com homenagens no Recife.
Por que o livro continua sendo lido
Memórias de um exilado é uma das fontes primárias mais citadas sobre a repressão ao movimento operário na Primeira República. Historiadores usam o texto para estudar o sistema penal da época, a deportação de estrangeiros e a rede de solidariedade entre maçons, parlamentares e sindicatos que garantiu a volta do autor ao país. O relato também mostra como a greve de 1917 e o ano de 1919 se conectam na memória de quem participou das duas.
Sobre a edição
A edição de 2022 foi publicada pelo Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri (NELCA), em formato 14 x 21 cm e 136 páginas, e recoloca o título no circuito dos leitores interessados em anarquismo e história social. A obra original de 1920 é rara; a reedição tornou o texto novamente acessível em livrarias independentes.
O perfil de Everardo Dias mostra o restante da trajetória do autor, das greves à maçonaria.


