Foto ilustrativa do produtor Oswald de Andrade

Projeto relacionado a:

Oswald de Andrade
Imagem promocional do produto Memórias Sentimentais de João Miramar

Memórias Sentimentais de João Miramar

Livro
Ver página do projeto

Este link pode ser comercial e gerar comissão para o site, sem alterar o preço para o leitor. Compare informações, preço e disponibilidade antes de decidir.

Romance fragmentado de 1924 em que Oswald recorta a vida de um herdeiro paulista em blocos secos de montagem.

Memórias Sentimentais de João Miramar, publicado em 1924, é o romance em que Oswald de Andrade transforma a vida de um herdeiro paulista numa sequência de golpes de tesoura. Não há o conforto do capítulo comprido. Há fragmentos, títulos secos, fala colada no osso e um protagonista que atravessa infância, Europa, casamento e fortuna como quem passa por estações demais num mesmo dia.

João Miramar é caricatura e álibi. Vem do café, encanta-se com o que chega de fora, coleta experiências como quem coleta cartões-postais. A forma acompanha essa pressa: cada bloco pode parecer crônica, telegrama, nota de jornal ou verso disfarçado. Oswald trabalhou o texto entre 1916 e 1923; a Livraria Editora Independência lançou a primeira tiragem, limitada, em 1924. A edição da Companhia das Letras devolve o livro ao leitor contemporâneo com o mesmo desconforto da estreia, quando muita gente não soube classificar o que tinha nas mãos.

Por que o livro ainda interessa

Quem chega a Oswald pelos manifestos encontra aqui a prova em prosa. A montagem que Haroldo de Campos associou ao cinema está no miolo do romance: um natal, uma sogra, uma viagem, um enterro, um recorte de fala. O leitor monta o sentido. Antonio Candido colocou Miramar e Serafim Ponte Grande no mesmo patamar de invenção. Este é o menos hostil dos dois. Ainda assim, não é suave.

A capa original, de Tarsila do Amaral, já anunciava o pacto com as artes visuais. A vida do autor transparece em deslocamento — Europa, São Paulo, jornalismo, herança — sem que o livro vire confissão. Oswald usa a biografia como sucata. O que sobra é o retrato de uma classe que se acha moderna porque viaja, compra e comenta, mas continua presa ao dinheiro e ao teatro social.

Para quem ler agora

O romance serve a quem já leu um pouco de modernismo e quer ver a prosa se quebrar de verdade. Serve também a quem desconfia do “eu lírico” comprido: Miramar mal termina uma emoção e o texto já mudou de câmera. Estudante de literatura encontra aqui o laboratório da língua brasileira que Oswald defendia — erro criativo, oralidade, recorte. Leitor de romance convencional pode irritar-se. Essa irritação faz parte do contrato.

Não é preciso conhecer a Semana de 22 para entrar, mas ajuda saber que o livro nasce no mesmo clima em que Oswald pedia poesia de exportação. A fragmentação não é defeito de edição. É a tese: a vida do herdeiro não cabe no molde oitocentista.

Alguns blocos parecem piada privada; outros, obituário. O conjunto, porém, tem direção: Miramar acumula mundo e perde chão. A língua brasileira entra sem pedir licença à norma de gabinete. Quem quiser o Oswald ainda mais agressivo segue para Serafim. Quem quiser o argumento teórico volta aos manifestos. Miramar fica no meio, cortante e, por isso, o melhor primeiro romance do autor.

Página vinculada ao projeto

Para consultar a página vinculada a este projeto, acesse Memórias Sentimentais de João Miramar.


O que você acha deste Projeto?

O projeto Memórias Sentimentais de João Miramar entrega o que promete? Foi uma boa experiência de aprendizagem ou serviço? Mande o seu feedback franco.

Outros projetos do mesmo autor

Se você se interessou por Memórias Sentimentais de João Miramar, talvez também queira conhecer outros projetos de Oswald de Andrade.

Ver perfil completo
Serafim Ponte Grande
Serafim Ponte Grande
Romance-invenção de 1933 em 203 fragmentos, colagem entre ficção, nota e sátira da São Paulo burguesa.
00%
00%
O Rei da Vela
O Rei da Vela
Peça de 1937 sobre agiotagem e casamento por interesse, estreada no palco em 1967 pelo Teatro Oficina.
00%
00%
Poesias reunidas
Poesias reunidas
Reunião da poesia de Oswald, com Pau Brasil, poemas inéditos e ilustrações de Tarsila, Segall e do autor.
00%
00%